Coronavírus / Covid-19

Universitário de favela conta como a pandemia afeta a saúde mental e os estudos

14.05.2020 | Por: Gabriela Ferreira

Semana passada, a Blogueira de Baixa Renda contou pra gente um pouco de como tá sendo a quarentena dela. Hoje, quem aparece por aqui é o Fabricio Oliveira, que já esteve no Portal KondZilla pra falar sobre como ele saiu do mau caminho e entrou na USP. Agora, ele vem nos contar sobre como tá a vida dele, principalmente dos estudos, durante a pandemia. Chega mais.

Quando falamos com o Fabricio, ele nos contou como foi passar por vários perrengues e realizar o sonho de estudar na USP Ribeirão Preto, uma universidade pública renomada. Tempos depois, ele trocou o curso de Matemática Aplicada pra Terapia Ocupacional. “Antes da pandemia, eu estava trabalhando no shopping e conciliando com o curso de Matemática, mas mudei de curso (transferência interna na USP mesmo) e por isso eles me mandaram embora”, comenta ele. “Como eu não tava trabalhando, eu tava fazendo uns bicos em festa e de faxina pra não ficar sem receber, mas com a pandemia, [tudo] parou”.

Assim como milhões de brasileiros, Fabrício solicitou o auxílio emergencial pra conseguir se manter durante esse momento. “Graças ao Universo, quando saí do serviço, recebi o salário e o acerto, e também pedi o auxílio emergencial, então estou conseguindo me manter e minha mãe também. Estamos nos ajudando”.

Adaptando a rotina

Com apenas 20 anos, Fabrício é daquele tipo rolezeiro que ama sair de casa, bater perna e ficar na rua. “Tem sido muito difícil pra mim ficar em casa, eu sou muito dinâmico, gosto de sair, de ir pra faculdade. Como agora estamos em isolamento, tem sido difícil, mas só saio de casa pra ir no mercado e no banco”, diz ele. “As aulas estão sendo online, mas não é a mesma coisa”.

Neste momento que estamos em casa o tempo todo, as pessoas encontram diversas atividades pra fazer. “Estou tentando fazer algumas coisas diferentes, como arrumar as coisas de casa que tão quebradas. Tá sendo uma experiência legal porque nunca fiz isso antes. Até vaso de flor eu to fazendo”, diz ele. “Tenho olhado muito pro meu interior, isso eu até já fazia antes, mas tenho feito mais, e tenho meditado também. Isso tá sendo bom pro meu crescimento pessoal”.

Apesar de Fabrício respeitar a quarentena , em Ribeirão Preto, nem todo mundo está cumprindo o isolamento por lá. “Algumas pessoas entenderam a importância do uso de máscaras e do isolamento social, mas a maioria não. Eu não julgo porque isso tem a ver com contexto social, muitas pessoas não nem dinheiro pra comer, imagina pra comprar máscara e álcool em gel”, explica ele. “Tem pessoas que têm acesso à informação e são teimosas mesmo, mas muitas não tem e também não podem se isolar porque moram com sete pessoas em um cômodo”.

ENEM e estudos

Além de toda a dificuldade que a pandemia trouxe, as pessoas ainda precisam continuar estudando pois o calendário do ENEM, principal acesso às universidades públicas, continua em pé, apesar de tudo que está acontecendo. “Eu acho complicado não adiar o vestibular. Temos que levar em consideração o contexto que as pessoas estão, muitas não tem internet, não tem computador pra estudar”, explica Fabrício. “O psicológico também fica muito abalado. Não estamos de férias, estamos numa pandemia. Temos nossas obrigações pra fazer, o psicológico fica abalado por muitos motivos, como o financeiro”.

Mesmo com sistema de aulas online, ainda assim, não é a mesma coisa que ir pras aulas presenciais. “Estudar em casa não é a mesma coisa que ir pra faculdade, que tem um contexto favorável pros estudos. Em casa tenho várias coisas pra fazer e pensar”, explica. “Então uma prova como o ENEM rolar como se nada tivesse acontecido, vai afetar mais as pessoas de escola pública”.

Apesar de não ter um plano pra retomar a vida normal, Fabrício já pensa em como vai ser o futuro. “A primeira coisa que quero fazer é ver meus amigos da faculdade, ir estudar com mais motivação e sair pra dançar”, comenta ele. “Minha esperança é que as pessoas saiam dessa pandemia mais empáticas, olhando mais pros outros do que pra elas”.

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