Um bate papo com o produtor Dany Bala

Autor: Renato Martins

Fotos por: Divulgação

Musica | 14/05/2019 09:53:49

Anexo faltante

O movimento bregafunk vem se espalhando de Pernambuco para todo o Brasil. As músicas que começaram com os artista de lá, hoje, se diversificam entre paulistas, cariocas e artistas que caíram no gosto do brega. Entre os responsáveis disso está o produtor Dany Bala, que assina sucessos do brega de hoje e de pelo menos 18 anos de história do movimento. O produtor vai participar do Festival Path, que acontece nos dias 1 e 2 de julho, na mesa “Qual é a cara da música popular brasileira de 2019?.

O bregafunk pode até estar popular agora, mas ele já vem de longa data e começou ainda com o brega mesmo – aquele do tipo do Falcão e Reginaldo Rossi. Aos poucos o funk chegou no nordeste, os cantores foram gostando do ritmo, se apropriando, misturando, até chegar no ritmo de hoje. Além de popular, isso ajudou a divulgar diversos artistas de lá, como Aldair Playboy, Dada Boladão, a dupla Shevchenko e Elloco, e produtores também, como aconteceu com o Dany Bala.

KDZ: Conte primeiramente como você virou produtor musical?
Dany Bala: Comecei a produzir algumas músicas de amigos em um computador emprestado, de um amigo de infância, em meados de 2001. Não tinha condições de comprar um computador e instrumentos. Daí o tempo foi passando e eu aprendendo mais, até que apareceram alguns trabalhos de artistas locais de Pernambuco. Em seguida, me tornei sócio de um pequeno estúdio e os trabalhos foram aumentando. Em setembro do ano passado recebi um convite para trabalhar com produção musical aqui em São Paulo e graças à Deus as coisas estão fluindo.

O que é esse movimento bregafunk?
O bregafunk na verdade nada mais é do que uma versão mais dançante e periférica do ritmo brega, que surgiu em Recife, baseado em um estilo de música popular do Belém do Pará – conhecido no Brasil como calipso. No início, o brega em Recife era mais lento e as letras eram românticas. Aí, começaram a aparecer MCs de Pernambuco que gravaram músicas no estilo funk, interessados em gravar o ritmo brega. Na época, eu já estava gravando e fui experimentando junções de elementos de música da República Dominicana, como merengues e bachatas, até ritmos como rock. Ou seja, o bregafunk é um apanhado de elementos sendo mutante, é um ritmo que com o passar do tempo vai mostrar músicas completamente diferentes do que já foi lançado.

Quais são suas principais músicas de trabalho?
R: Fica difícil dizer, mas acredito que hoje em dia a principal é a música “Sou Favela”, do Ruanzinho. Foi a música que mais se destacou a nível nacional. Já produzi mais de duas mil músicas, mas elas tiverem grande resultado dentro do estado de Pernambuco.

Os paulistanos soltam muitos trabalhos em bregafunk. Como você vê isso?
Vejo com bons olhos o fato dos artistas de São Paulo estarem entrando nesse movimento, mas queria que os artistas de Pernambuco entrassem com o ritmo a nível nacional, tendo em vista que é um movimento começado por eles e que ficou tanto tempo sem ser reconhecido. Infelizmente tem muitos fatores que impedem disso chegar a acontecer, já que a maioria das músicas que eles produzem em Recife são versões. Eles utilizam capelas de artistas aqui de São Paulo e do Rio, mas nem sempre foi assim. Na grande maioria das vezes, os artistas que fazem dessa prática lá em Pernambuco são os iniciantes quem vêm nisso uma forma mais fácil de fazer barulho, pelo menos no estado de Pernambuco.

Qual a cara da música popular brasileira em 2019?
Hoje em dia fica difícil dizer. Os artistas estão experimentando de tudo, muitas vezes vemos artistas do cenário sertanejo gravando reggaeton, MCs de funk gravando trap e batidão romântico… Ou seja, passou-se o tempo em que a música brasileira era vista entre a MPB e o samba. As pessoas hoje em dia estão mais abertas à ouvir um Zeca Pagodinho cantando trap (risos).

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O Festival Path acontece durante os dias 1 e 2 de junho. Dany Bala estará no painel do dia 01, ‘Qual a cara da música popular brasileira em 2019?’

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