Conheça a Beatriz, portadora de uma doença rara, funkeira e youtuber

Autor: Redação

Fotos por: Reprodução // Acervo Pessoal

Conte aqui sua historia | 18/10/2019 18:15:44

Anexo faltante

Sexta-feira é sinônimo de “Conte Aqui Sua História” na KondZilla. Como de costume, mais uma vez viemos aqui trazer uma história de uma pessoa foda pra você se inspirar. Quem escreveu pra gente dessa vez foi a Beatriz Fernandes, de apenas 17 anos, que nasceu com uma doença rara, mas não deixou que ela a limitasse de viver a vida. Chega mais.

“Me Chamo Beatriz, tenho 17 anos e nasci com uma doença rara chamada Osteogênese Imperfeita (ossos de vidro). A Osteogênese é causada por genes defeituosos que afetam o modo como o corpo produz colágeno, uma proteína que ajuda a fortalecer os ossos.

Já sofri mais de 100 quebraduras e 10 cirurgias. Minha vida começou praticamente no hospital, era quebra quebra quase todos os meses, então comecei a fazer o tratamento para amenizar tudo isso. Por muitos anos foi essa a rotina, de 3 em 3 meses eu ia para o hospital e ficava 5 dias para tomar o remédio (fora os dias que ficava quando quebrava).

Sempre morei na favela [Jardim Campos] e sempre vi a realidade daqui. Mesmo tendo os ossos fracos, sempre tive a liberdade de brincar “com coisas perigosas” para mim, andava de skate (sentada) e tudo mais. Amo morar aqui, só quem mora em periferia sabe, cada dia é uma emoção! Já vi de tudo, brigas, polícia, irmãos, e até sangue na frente de casa. Desde nova soube o que era o certo e o errado!

Eu tenho 1,22 de altura, uso cadeiras de rodas por causa da doença. Por conta disso, já sofri muito preconceito, vai achando que não! Muitos apelidos e nomes já me abalaram nessa vida, mas temos que ser forte o tempo todo.

Em uma certa época eu parei de estudar, o motivo? Trauma. Na 3ª série, um menino quebrou minhas duas pernas, passei por cirurgia e tudo, depois não conseguia nem entrar numa escola. Fiquei quatro anos sem frequentar nada. E com 14 anos, tomei coragem para enfrentar o meu medo, e fui. Hoje ainda estudo, estou um pouco atrasada, mas não ligo muito para isso. O importante é que eu estou indo e venci o meu maior medo.

Com uns 12-13 anos comecei gravar vídeos para o YouTube, sempre amei tudo isso (audiovisual e fotografia). Eu não manjava nada de edição, mas comecei a usar o Sony Vegas, um programa de edição, pra me aventurar. Por algum tempo eu mexia nele, mas meu notebook quebrou e não tinha acesso há nada, tive que largar. O canal tinha em média uns 60 inscritos.

Há um ano resolvi voltar! Voltei com tudo, hoje ele tá com 1.550 inscritos, mas parei novamente… Com essa “pouca” ideia de vídeo, comecei a editar alguns vídeos do IXICASALZAO e foi muito bom participar de uma parte da carreira deles, mas paramos por alguns motivos.

Esse ano eu me apaixonei por poesia periférica, ou que trate essa visão. Comecei um projeto de slam na escola e foi aí que tudo começou.

Já me apresentei até pra 300 pessoas! Acho muito importante a poesia. É uma coisa muito boa, expressar seu sentimento em meio de palavras, e com isso refletir alguém sobre o que você sentiu.

Quero passar a minha poesia e história para muita gente, sei que quem é PCD (pessoas com deficiência) tem seus problemas internos com isso, sobre aceitação e tudo mais. E a gente não é muito mostrado pela sociedade, e quão ruim é quando você não consegue entrar em um lugar para comprar algo, por não ter uma simples acessibilidade.

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Além do YouTube e da poesia, também desenho. Tenho até um do MC Menor MR. Quando eu tinha 14 anos, eu queria funk longe de mim. Meu MC favorito é o Menor porque eu amo as músicas dele e gosto muito de funk consciente! Sempre que tem show matinê eu vou, minha mãe também participa, me leva e me busca. Já vi uma vez o show do MR e até chorei.

Hoje ainda vivo no mesmo lugar (que amo), e ainda sonho em crescer no YouTube e mostrar e ser o espelho de alguém, para não ter vergonha de ser quem somos, e que o “estranho” é normal. Todos somos seres humanos e merecemos todos os direitos”.

Gostou da Bea? Não esqueça que você também pode aparecer por aqui, basta nos mandar sua história, número de telefone e fotos no e-mail: conteaquisuahistoria@kondzilla.com

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