Interior de São Paulo se torna destino disputado por super-ricos com condomínios que funcionam como cidades privadas
O interior de São Paulo tem atraído milionários, banqueiros e famílias do agronegócio para condomínios de alto padrão que oferecem infraestrutura completa e serviços exclusivos. Terrenos que chegaram a triplicar de preço em um ano, imóveis vendidos por até R$ 300 milhões e pousos de helicóptero em áreas privativas são alguns sinais desse movimento, que ganhou força durante a pandemia.
Os empreendimentos concentram-se em cidades como Porto Feliz e Bragança Paulista e incluem projetos recentes como a Fazenda Vista Verde, do Grupo Luan, em Araçoiaba da Serra; a Fazenda Santa Helena, da JHSF, e o Quinta da Primavera, do grupo Oscar Americano, ambos em Bragança Paulista.
O Complexo Boa Vista
O Complexo Boa Vista, da JHSF, em Porto Feliz — a cerca de 100 km da capital — tornou-se referência no segmento. Ocupando 30 milhões de metros quadrados, o projeto reúne restaurantes, haras, campos de polo e golfe, academia, circuito de triatlo e uma piscina de ondas artificiais. Entre os moradores estão o casal Angélica e Luciano Huck, o publicitário Nizan Guanaes e o fundador da XP Investimentos, Guilherme Benchimol.
Desenvolvido desde 2007 em quatro áreas, o complexo teve a Fazenda Boa Vista como primeira etapa e principal motor da valorização observada durante a pandemia. Na Fazenda Boa Vista, o preço do metro quadrado passou de cerca de R$ 700 no início de 2020 para mais de R$ 2.200 em 2021.
O Boa Vista Village, lançado em 2019, abriga a piscina de ondas e terá uma unidade do Colégio Visconde de Porto Seguro, um centro médico operado pelo Hospital Israelita Albert Einstein e um shopping a céu aberto com lojas de grife. Em março de 2026, a JHSF lançou o Boa Vista Estates, em uma área de 7 milhões de metros quadrados, planejado para apenas 250 famílias com lotes a partir de 5.000 metros quadrados. A empresa também prevê o Boa Vista Lakes, sem data definida.
Além dos condomínios, a JHSF montou um ecossistema para esse público, controlando ativos como o Shopping Cidade Jardim, a rede Fasano e o São Paulo Catarina Aeroporto Executivo Internacional, em São Roque. Moradores podem pousar no Catarina e chegar de helicóptero ao condomínio em minutos. “Muitos proprietários do Boa Vista estão fora de São Paulo. Tem famílias que compraram terrenos conosco e são de Belo Horizonte ou do Mato Grosso… pousa no Catarina e em 15 minutos ele está na casa de Boa Vista”, afirma Lucas Melo, diretor executivo da corretora de luxo MBRAS.
Imagem: Bloomberg
A concorrência por esse público é intensa. A Fazenda da Grama, em Itupeva, construiu uma praia artificial com ondas de até dois metros e areia que não esquenta. A Fazenda Vista Verde promete hotel boutique, haras e museu a céu aberto, com inauguração prevista ainda neste ano. A Fazenda Santapazienza, da família Malzoni, opta pela ultraexclusividade, vendendo lotes apenas para convidados. Pioneiros como o Quinta da Baroneza respondem com novos projetos, como o Quinta da Primavera, em terreno vizinho.
Com dezenas de lançamentos simultâneos, incorporadoras disputam terrenos e compradores, enquanto o setor busca manter a sensação de exclusividade que atrai os super-ricos.
O InvestNews procurou a JHSF, mas a empresa não concedeu entrevista.
Com informações de Investnews