China pode comprar petróleo dos EUA, e alta dos preços preocupa investidores com risco de inflação
Sexta-feira, 15 de maio. Os contratos futuros dos principais índices americanos operam em queda no pré-mercado, em meio a renovados receios de inflação diante da alta do petróleo. A movimentação foi impulsionada por uma declaração do presidente Donald Trump, ao término de sua visita oficial à China, de que os Estados Unidos poderiam fornecer petróleo ao país asiático para aliviar problemas de abastecimento causados pela guerra entre EUA e Irã.
Cenários
Trump afirmou, em entrevista não confirmada por autoridades de Pequim, que a China poderia adquirir petróleo americano “no Texas, na Luisiana e no Alasca”. A fala intensificou a alta das cotações da commodity, embora a situação não esteja diretamente vinculada ao que ocorre no Estreito de Ormuz desta vez.
O West Texas Intermediate (WTI), referência para o mercado americano, registra alta de 3,5% e negocia a pouco menos de US$ 105 por barril, enquanto o Brent, referência internacional e relevante para a Petrobras, avança para pouco menos de US$ 107.
Os últimos índices de inflação no Brasil e nos Estados Unidos indicam que a elevação dos preços do petróleo tem pressionado outras áreas da economia. Nos EUA, o núcleo do índice de preços — que exclui alimentos e energia — ficou em 2,8% nos 12 meses até abril, contra 3,8% do índice geral no mesmo período.
Embora a pressão inflacionária aparente se concentre em combustíveis e energia, o petróleo é insumo importante na produção industrial: preços de plásticos e fertilizantes são afetados pelas cotações da commodity. Índices de inflação no atacado já sobem no Brasil e nos EUA, abrindo possibilidade de transmissão para os preços ao consumidor.
Os investidores passam a recalcular probabilidades para a política monetária: a expectativa de manutenção dos juros nos EUA na reunião do Federal Open Market Committee (FOMC) do fim de junho é unânime, e a probabilidade de manutenção também na reunião do fim de julho subiu de 87% para 97% em uma semana. No mesmo intervalo, a chance de um leve aumento de juros subiu de zero para cerca de 2%.
Complicando o cenário, Kevin Warsh, indicado por Trump, deve tomar posse nesta sexta-feira como novo presidente do Federal Reserve (FED). A possibilidade de uma postura mais tolerante em relação à inflação, em comparação com Jerome Powell, que esteve no cargo nos últimos oito anos, acrescenta incerteza e pressão sobre ações.
Perspectivas
Na abertura da última sessão da semana, contratos futuros acionários e as cotas do ETF EWZ iShares MSCI Brazil iniciam em baixa no pré-mercado, com atenção dos investidores voltada a sinais de inflação no Brasil e nos Estados Unidos e à troca de comando no FED.
Indicadores
BRASIL
Crescimento do setor de serviços (Mar)
Esperado: ND
Anterior: 0,1%
Crescimento do setor de serviços (12 M)
Esperado: ND
Anterior: 0,5%
Imagem: Imagem Divulgação
ESTADOS UNIDOS
Produção industrial (Abr)
Esperado: + 0,3%
Anterior: – 0,5%
Produção industrial (12 M)
Esperado: ND
Anterior: + 0,74%
Índice Empire State de atividade industrial (Mai)
Esperado: 7,30
Anterior: 11,00
Os mercados seguem monitorando a evolução dos preços do petróleo, a resposta das autoridades chinesas à proposta de compras americanas e quaisquer sinais adicionais que possam influenciar a trajetória da inflação e das taxas de juros.
Com informações de Forbes