Trump chega a Pequim em visita de Estado após nove anos para tratar comércio e conflito no Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desembarcou em Pequim nesta quarta-feira (13) para a primeira visita de Estado de um mandatário americano à China em nove anos, com a agenda centrada em comércio e na influência chinesa sobre o conflito no Irã.
O Air Force One pousou no Aeroporto Internacional de Pequim pouco antes das 20h de quarta-feira (13). Na chegada, o vice-presidente chinês Han Zheng participou da cerimônia de recepção, que contou com guarda de honra militar e centenas de crianças acenando bandeiras no tapete vermelho.
As principais reuniões acontecerão a partir da manhã seguinte, quando Trump terá encontro com o presidente chinês Xi Jinping no Grande Salão do Povo. A cúpula, prevista para durar 36 horas, inclui banquete de Estado, visita ao Templo do Céu e conversa informal no complexo governamental de Zhongnanhai.
Assuntos em pauta
Além de buscar acordos comerciais, Trump pretende pressionar Xi sobre o papel da China no conflito no Irã. Autoridades americanas informaram que receitas obtidas pelo Irã com vendas de petróleo à China e possíveis exportações de armas estarão entre os temas a ser discutidos. A China é a maior compradora das exportações de petróleo iraniano, e Washington aplicou sanções a empresas chinesas acusadas de manter negócios com Teerã.
Na esfera econômica, Trump e membros do seu governo querem avançar em negociações para reduzir barreiras a empresas americanas, fechar acordos nos setores de agricultura, energia e aeroespacial e criar um novo conselho bilateral de comércio. Também está prevista conversa sobre a prorrogação da trégua comercial firmada em outubro do ano passado, que aliviou tarifas e controles de exportação, inclusive sobre embarques de terras raras aos EUA.
Delegação e contatos prévios
Trump trouxe uma delegação empresarial com executivos como Elon Musk (Tesla), Tim Cook (Apple) e Kelly Ortberg (Boeing). Em movimento de última hora, Jensen Huang, da Nvidia, embarcou no Air Force One, trazendo tecnologia e inteligência artificial ao centro das atenções.
No avião presidencial viajaram também o secretário de Estado Marco Rubio e o secretário da Defesa Pete Hegseth. A última visita de um chefe da Defesa dos EUA à China havia ocorrido em 2018. Antes da chegada de Trump, o secretário do Tesouro Scott Bessent e o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng realizaram cerca de três horas de negociações na Coreia do Sul para preparar o encontro entre os presidentes.
Imagem: Bloomberg
Outros pontos sensíveis
Tema sensível na agenda será Taiwan: Trump afirmou que discutirá com Xi as vendas de armas americanas para a ilha e adiou antes da viagem um pacote militar de US$ 14 bilhões. Parlamentares de ambos os partidos alertaram que a pausa pode enfraquecer o apoio histórico dos EUA a Taiwan. Xi já havia pedido a Trump que tratasse a questão com “máxima cautela” em telefonema em fevereiro.
Trump também disse que abordará o caso do ex-magnata de mídia de Hong Kong Jimmy Lai, condenado a 20 anos de prisão por acusações de conspiração e sedição.
A visita foi amplamente comentada nas redes sociais chinesas nos últimos dias, com usuários acompanhando o trajeto do Air Force One em sites de monitoramento de voos e destacando a presença de executivos na delegação, em especial a entrada de última hora do CEO da Nvidia.
Com informações de Investnews