Inflação em alta altera projeções de juros no Brasil e nos EUA
Dados de inflação divulgados na terça-feira, 12 de maio, complicaram as perspectivas para a política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, ao mostrar aceleração nos índices de preços que reduz o espaço para cortes de juros e reforça a expectativa de manutenção de taxas elevadas por mais tempo.
Cenário e números principais
No Brasil, o IPCA registrou alta de 0,67% em abril, abaixo dos 0,88% de março, mas chegou a 4,39% em 12 meses, ante 4,14% no período anterior e praticamente em linha com a mediana das projeções, de 4,41%. O resultado ficou dentro do limite superior da meta do Banco Central, de 4,5%, mas chama atenção a composição do índice.
Os grupos de alimentos e bebidas e de saúde e cuidados pessoais responderam por 67% do IPCA de abril. A alimentação no domicílio subiu 1,64% no mês, com aumentos expressivos em itens como cenoura (26,63%), leite longa vida (13,66%), cebola (11,76%), tomate (6,13%) e carnes (1,59%).
A inflação de bens industriais avançou de 0,31% para 0,62% em um mês, afetando principalmente produtos mais sensíveis ao ciclo econômico — aqueles que normalmente deveriam refletir o aperto monetário. Parte desse movimento é atribuída ao conflito no Oriente Médio, que impacta cadeias de insumos como plástico e combustíveis.
Estados Unidos
O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA subiu 0,6% em abril, em linha com o esperado e abaixo dos 0,9% de março. No acumulado em 12 meses, a inflação ficou em 3,8% — o maior patamar desde maio de 2023 e acima da previsão de 3,7%, quase o dobro da meta de 2% do Federal Reserve.
O núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia, registrou alta de 2,8% em 12 meses, acima dos 2,6% de março e além dos 2,7% projetados pelo mercado. Na comparação mensal, o núcleo avançou 0,4%, com os gastos com habitação subindo 0,6%. O índice de energia foi o principal responsável pela aceleração mensal, com alta de 3,8%, respondendo por mais de 40% do aumento total em abril.
Impacto nas expectativas de juros
Os resultados levaram investidores a adiar apostas de cortes de juros do Fed para 2027. Perto do fechamento de terça-feira, a chance de manutenção da taxa entre 3,50% e 3,75% na reunião de junho estava em 97,6%. O mercado projeta que o CPI de maio, a ser divulgado em junho, mostrará inflação anualizada de 4%, o dobro da meta do Fed.
No Brasil, a Selic em 13% ao ano pode ter de permanecer nesse nível por mais tempo do que o mercado previa. Nos EUA, o CPI acima do esperado reforçou a postura cautelosa do Fed; qualquer movimento de corte dependerá de evidências consistentes de desaceleração, que ainda não aparecem.
Os dois bancos centrais enfrentam o dilema de que juros elevados por muito tempo prejudicam o crescimento, mas reduzir a taxa antes do controle da inflação pode agravar o problema. Os dados de abril não simplificaram essa equação.
Perspectivas e indicadores
Apesar do quadro mais adverso em termos estruturais, o mercado iniciou os negócios de quarta-feira, 13 de maio, em leve recuperação. Índices americanos e ações brasileiras negociadas em Nova York abriram com pequenas altas e o barril do petróleo tipo Brent mantinha-se estável em torno de US$ 107.
Investidores buscam motivos para valorização das ações na expectativa de um desfecho positivo da visita do presidente americano Donald Trump à China. Será a primeira visita de um presidente americano ao país asiático, e há expectativa de que o encontro entre Trump e o líder chinês Xi Jinping possa reduzir tensões entre os países e facilitar uma solução para o conflito no Oriente Médio.
Imagem: Getty Images
Indicadores:
BRASIL
Vendas no varejo (Mar) — Esperado: 0,0% / Anterior: 0,6%
Vendas no varejo (12 M) — Esperado: 2,8% / Anterior: 0,2%
ESTADOS UNIDOS
Inflação no atacado / PPI (Abr) — Esperado: 0,5% / Anterior: 0,5%
Núcleo da inflação no atacado / PPI (Abr) — Esperado: 0,3% / Anterior: 0,1%
Com informações de Forbes