Funk

“Sou um eterno soldado do funk”, diz Créu

21.02.2022 | Por: Gabriela Ferreira

Quem é que não lembra da “Dança do Créu“? A música lançada pelo DJ Créu em 2008 foi um dos grandes sucessos do ano, além de ser lembrada até hoje, e era tocada em todos os cantos. O funkeiro continua no game até hoje e trocou um papo com a KondZilla sobre carreira. Se liga:

KDZ:Como você entrou na Furacão 2000? Ficou quanto tempo?
CRÉU: Entrei por uma seleção de DJs. Mais de 500 inscritos para quatro vagas. Graças a Deus, consegui uma delas. Eu tinha 16 anos na época.

KDZ: Como “Dança do Créu” mudou a sua vida?
CRÉU: Sempre fui produtor, DJ e compositor. Escrevia, produzia e oferecia músicas para os MCs gravarem. A “Dança do Créu” foi assim também. Deixei ela prontinha para um MC, apenas com a minha voz de guia, mas o MC em questão não curtiu. A música começou a andar com a minha voz. Ela ficou tão forte, que fui obrigado a virar MC.

KDZ: Você já tá no corre do funk há bastante tempo. Qual a principal mudança que você viu ao longo desses anos?
CRÉU: Como tudo no mundo, as coisas ficaram mais rápidas/ Tudo meio que aumentou: o BPM, a velocidade que a música explode e a velocidade que ela cai. As pessoas consomem tudo muito rápido e já descartam com a mesma velocidade. Os meios de chegar no público também mudaram. As rádios, que por tantos anos foram o alicerce da música, praticamente acabaram. A TV tá indo pelo mesmo lugar. Tudo mudando com muita velocidade, mais rápido que a velocidade 5. 

KDZ: O que você acha mais difícil: estourar a primeira ou continuar se mantendo na música?
CRÉU: Acho que hoje a gente virou muito refém do algoritmo. Para estourar, a gente depende da sorte e do algoritmo. Depois, para ficar temos duas alternativas: continuar tentando com a sorte e com as mudanças constantes do algoritmo ou um plano bem pensado de marketing musical e investimento. Quem não consegue entender isso, realmente fica pra trás.

KDZ: O seu filho, DJ LK, também entrou no funk, né? Qual o principal ensinamento que você passou pra ele? 
CRÉU: Confesso que tentei de tudo para ele não entrar nesse meio. Queria protegê-lo porque sei da instabilidade que essa vida é. Você precisa lidar o tempo todo com o sucesso e as frustrações. Isso é muito constante e nem todos conseguem lidar bem com isso. Tentei proteger, mas ao mesmo tempo, ele me acompanha desde que nasceu e sempre ensinei tudo para ele: produzir, tocar, falar, dançar. Quando ele estava no meio da faculdade de Psicologia, tivemos uma conversa muito franca e ele me falou que a música era o maior sonho da vida dele e que ele queria minha ajuda. Decidi apoiar e colocar meus conhecimentos de funk e marketing. O resultado foi que estouramos mais de 10 hits. Agora estou lado a lado, apoiando o sonho e protegendo ele. Afinal, ele é o amor da minha vida. 

KDZ: Existe segredo para se manter tanto tempo no funk? 
CRÉU: Persistência e saber se adaptar porque tudo está em constante mudança. Quem nega o novo, não acompanha. Não é uma questão de ser melhor ou pior. As coisas simplesmente mudam, você querendo ou não. Quem aceita, fica. Quem não aceita, sai e cai. Vai ser sempre assim.

KDZ: Como você vê o funk de quando você começou pra como ele é hoje? 
CRÉU: O funk mudou drasticamente, mas a essência é a mesma. Se você olhar o funk da década de 1990, o funk americano com batidas fortes e todos os funkeiros escutando rádio, ensaiando passinho para todo mundo estar sincronizado no baile. Agora, 30 anos depois, o Tik Tok tá aí fazendo o mesmo. Por isso digo, a essência continua. Vai de você ter a sensibilidade de enxergar. 

KDZ: Seu estilo de fazer música mudou muito ao longo dos anos?
CRÉU: Muito, mas me adapto muito fácil. Sou um eterno soldado do funk. O general dá as ordens e cumpro. 

KDZ: Pode falar um pouco sobre “Corre Piranha”, que você soltou recentemente no Canal KondZilla?
CRÉU: Uma produção do DJ LK, Pedrin e Breno aqui do Rio de Janeiro. Todo mérito é deles e como a música é puxada para o humor, e eu adoro fazer humor no funk, me encaixei como uma luva. Fico feliz com o sucesso que ela está tendo em todo o Brasil. Pra mim marca muito também porque é meu primeiro videoclipe com a KondZilla, uma empresa que sou fã e agradecido pelo papel foda que ela tem na história do movimento! Estou feliz demais e já ansioso pela música nova que faremos. Aguardem.

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