Conte aqui sua historia

“Sou um carioca camelô com muito orgulho e sonhador”, conheça história do MC Thunay

20.08.2021 | Por: Redação

Sexta-feira é dia de “Conte Aqui Sua História”, o seu espaço aqui no site da KondZilla. Quem aparece aqui hoje é o Wallace Soares, mais conhecido pelo vulgo MC Thunay, diretamente do Rio de Janeiro. Se liga no corre dele:

“Meu nome é Wallace Silva do Nascimento, vulgo MC Thunay. Sou um cara nascido e criado em Belford Roxo, Rio de Janeiro. Nunca tive perspectiva de vida, mas sempre soube que pra ser bem sucedido na vida eu teria que ter um negócio próprio.

Quando fiz 10 anos, comecei a vender cloro. Eu saia de Belford Roxo e ia pra Nova Iguaçu vendendo cloro pra ganhar R$ 20 por dia, até que conheci umas pessoas e comecei a vender batata frita na estação e ganhava R$ 100 por semana.

Com o tempo, abri meu próprio camelô e passei a vender DVD no calçadão. Nessa época, cheguei a achar que tudo ia dar certo e que as coisas iam melhorar, mas tomei a primeira porrada da vida. Perdi mais de R$ 5 mil em mercadoria porquê DVD é pirataria e teve uma operação da delegacia e prenderam tudo. Foi quando decidi largar a rua e procurar um trabalho de carteira assinada porque no meio de tudo isso, minha namorada engravidou e eu tava quebrado, sem dinheiro pra repor mercadoria. 

Consegui um emprego em um restaurante, trabalhei os três meses de experiência e no dia que o chefe ia assinar minha carteira, pedi pra ser mandado embora porque quem é da rua não consegue ficar preso em lugar nenhum. Lembro como se fosse hoje o meu patrão falando “pô, mas vai sujar a carteira que eu acabei de assinar?” e eu falei que não tinha problema porque se Deus existe na minha vida, nunca mais vou trabalhar assim. 

Voltei pra rua bem na época de festa junina então pensei em vender biscoitinho de Minas porque nessa época vende bem. Meu amigo me deu umas caixas desse biscoito e eu comecei a vender na feira de areia branca, em Belford Roxo. Só que tinha um porém, quando você sai da rua por um tempo, você volta e tá tudo diferente, são outras pessoas e outra fiscalização.

Comecei a trabalhar no lugar do cara que vendia banana porque ele não tava indo. A mulher desse cara continuava trabalhando no calçadão e começou a querer implicar comigo, mas eu não dei ideia e comecei a gritar “biscoitinho de Minas 3 por 10”. Ela se cansou de implicar comigo e eu continuei lá. 

Quando a festa junina acabou, comecei a vender acessórios de celular na Uruguaiana, em Madureira, Campo Grande.. Rodei tudo e depois voltei pra Nova Iguaçu e consegui montar uma banca de capas e películas de celular. 

Achei que tava tudo bem, até que a vida me deu mais uma porrada: eu tava dormindo em casa quando duas viaturas da UPP da Mangueira bateu no meu portão às sete da manhã. Eles invadiram minha casa e começaram a me acusar de ter roubado um policial de madrugada, sendo que eu tava em casa e não tinha sido eu. Me levaram pra delegacia, me jogaram no porquinho como se eu fosse um marginal. 

Nesse momento tive uma experiência com Deus. Me ajoelhei no meio dos presos e comecei a orar. Senti uma unção de Deus na minha vida. Era como se tivesse uma voz me falando que eu ia sair dali naquele dia. 

O que tinha acontecido tinha sido o seguinte: seis anos atrás eu tinha vendido uma moto e não passei pro nome do comprador. Esse comprador emprestou a moto pra terceiros e eles roubaram usando a moto, mas a moto tava no meu nome, por isso os policiais foram na minha casa. Nesse meio tempo, meu tio foi atrás do cara pra quem eu vendi a moto, conseguiu levar todos os envolvidos pra delegacia e a vítima reconheceu o suposto ladrão.

O delegado falou assim pra mim: ‘agradece a Deus porque você bateu na trave. Já vi muitas pessoas serem presas por inocência por motivos assim’. Eu já tava quase indo pro presídio de Bangu, e depois disso fui pra audiência como vítima. Graças a Deus deu tudo certo. 

Enquanto tudo isso acontecia, também me joguei no funk. Eu fazia bailes como MC, toquei no Baile da Providência, com DJ Júnior e DJ Jhonata, Baile da Penha, Baile da Gaiola. Gravei alguns videoclipes e agora to com duas músicas novas. Essa é a história resumida da vida de um carioca camelô com orgulho e sonhador.

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