Shein conclui compra da Everlane por cerca de US$ 100 milhões
A chinesa Shein adquiriu a varejista americana Everlane da gestora L Catterton em um negócio que avalia a empresa em aproximadamente US$ 100 milhões, segundo reportagens dos sites Puck e The Information. O montante representa uma queda significativa frente às avaliações obtidas pela marca no auge do comércio eletrônico.
Com sede em San Francisco, a Everlane se consolidou por um estilo minimalista — descrito como “luxo discreto” — e pela ênfase em materiais de alta qualidade e na chamada “transparência radical” sobre sua cadeia de produção. A marca também tornou-se conhecida por iniciativas de sustentabilidade e por peças básicas premium, como camisetas de algodão, suéteres de cashmere e a linha Clean Silk, produzida sem o uso de produtos químicos nocivos. Entre suas admiradoras está Meghan Markle.
De acordo com o Puck, o conselho da Everlane aprovou a operação no sábado, com pessoas próximas ao caso citadas nas reportagens. Um comunicado enviado aos acionistas informou que os detentores de ações ordinárias não receberão pagamento pela transação. Não há confirmação pública sobre se os acionistas preferenciais receberão dinheiro ou ações da Shein.
Nos meses anteriores ao acordo, a Everlane buscava reverter o aumento do endividamento. O Puck informou que a companhia acumulava cerca de US$ 90 milhões em dívidas, e que o CEO Alfred Chang vinha procurando investidores desde março para enfrentar a situação financeira. A L Catterton chegou a considerar injetar novos recursos caso surgisse um coinvestidor, mas também avaliou a opção de vender a marca.
A empresa público metas ambientais, entre elas reduzir em mais de 50% as emissões de gases de efeito estufa por produto até 2030, além de diminuir desperdícios e defender salários e jornadas justas para trabalhadores. Em 2019, entretanto, a Everlane enfrentou críticas quando funcionários remotos do atendimento ao consumidor tentaram se sindicalizar; o movimento foi interrompido após demissões em massa dos trabalhadores envolvidos, gerando acusações de práticas antissindicais.
Imagem: Eamonn M. McCormack/Getty Images
Varejo americano
O negócio ocorre em um momento de forte transformação do varejo nos Estados Unidos promovida por empresas chinesas como Shein e Temu, que adotaram preços agressivos, marketing intensivo e aproveitaram brechas tributárias para ganhar vantagem sobre concorrentes locais. A Shein, por sua vez, tem buscado diversificar fontes de receita diante da pressão crescente de tarifas dos EUA sobre seu negócio principal. No ano passado, a companhia passou a oferecer a outras marcas acesso à sua rede de fabricação na China como serviço, segundo a Bloomberg.
A Shein também enfrenta disputas judiciais com a Temu em nível internacional. Em Londres, a empresa acusa a rival de violação de direitos autorais em “escala industrial”, afirmando que a Temu teria usado milhares de fotos da Shein para anunciar cópias de suas roupas; a Temu, por sua vez, alega que a Shein recorre a processos para sufocar a concorrência.
Com informações de Investnews