São Paulo concentra investimentos e lidera adoção de IA no Brasil, com mercado projetado em US$ 99,85 bilhões até 2033
São Paulo se consolidou como o principal polo da transformação digital no Brasil, concentrando empresas, infraestrutura e investimentos em inteligência artificial (IA) que impulsionam o crescimento do setor no país. Levantamento da SP Negócios, no estudo “Avança Tech Inteligência Artificial”, aponta que a capital paulista movimentou cerca de R$ 1,7 bilhão em 2025 e reúne a maior densidade de empresas, startups, universidades e capacidade computacional do país.
O setor global de IA registrou movimento de aproximadamente US$ 391 bilhões em 2025, alta de 40 pontos percentuais em relação a 2024, com projeção de alcançar US$ 3,5 trilhões em 2033, segundo o Grand View Research. Na América Latina, a participação representa 7,6% do mercado mundial, e o Brasil responde por 63% desse total regional.
Consumo por setores e impactos na produtividade
Dados compilados pelo estudo e por outras fontes indicam ganhos de produtividade estimados em 16% ao ano, considerando economia de horas e melhora na qualidade. As áreas que mais consomem IA são marketing e vendas (14,5%), tecnologia da informação (13,6%) e administrativo e financeiro (12,1%). Segmentos como saúde, varejo, bancos e serviços financeiros aparecem entre os que mais utilizam a tecnologia. A expectativa é que o setor de saúde aumente sua participação no mercado em 20% até 2033.
Atualmente, empresas brasileiras investem mais de US$ 14 milhões em IA, e a expectativa média de retorno é de 16% em um ano, com projeção de 31% para 2027. Seis em cada dez entrevistados indicam que o retorno em soluções de IA supera o de outros tipos de investimento. A cibersegurança deve concentrar até 20% da aplicação de IA até 2033.
Recursos humanos, infraestrutura e parcerias
O Brasil figura entre os seis países com maior presença de profissionais de IA, segundo o Valor Econômico, ao lado de Estados Unidos, Índia, Reino Unido, Alemanha e Canadá. A contratação desses profissionais cresceu mais de 30% em 2024, conforme o Artificial Intelligence Index Report 2025, mas persiste um déficit estimado em cerca de 530 mil talentos, apontado como um obstáculo por metade dos entrevistados.
Parcerias são frequentes: 21,4% dos respondentes afirmam cooperação com hubs de tecnologia e inovação; 18,8% com startups; e 18,2% com instituições de ensino e pesquisa. Quase 90% dos entrevistados consideram a computação em nuvem o principal facilitador para a escalabilidade das aplicações de IA no país.
São Paulo como ecossistema de inovação
O estudo destaca que São Paulo abriga cerca de 223 mil empresas de tecnologia distribuídas em 10 setores predominantes, incluindo serviços de dados e IA, integradores e consultorias. Para 46% dos participantes, o mercado local está concentrado em big techs e startups maduras; em seguida, vêm instituições de ensino e pesquisa. A cidade foi a primeira no Brasil a obter certificações para cidades inteligentes, resilientes e sustentáveis.
O Distrito de Inovação da Cidade de São Paulo agrega um ecossistema de 508 hectares, com fluxo diário estimado em 77 mil pessoas, mais de 100 cursos de doutorado em áreas STEM, e mais de 300 núcleos de pesquisa e laboratórios de alta tecnologia, além de programas de incubação e aceleração.
Imagem: Imagem Divulgação
Em indicadores de produção científica e inovação, a cidade gerou cerca de 1% da inovação global, com mais de 600 patentes internacionais, mais de 24 mil artigos científicos e mais de 1.500 negócios de capital de risco. O relatório associa os investimentos em IA a um aumento de R$ 116 milhões na arrecadação de impostos em 2025 e estima R$ 2,7 bilhões em faturamento adicional para empresas da cidade, além de R$ 1,5 bilhão de expansão do PIB municipal.
Questões regulatórias e de políticas de incentivo também avançam: leis municipais que reduziram o ISS para atividades desenvolvidas por plataformas digitais, bem como o Marco Legal da Inovação (Lei nº 13.243/16) e propostas federais como o Marco Legal da Inteligência Artificial (PL nº 2.338/23) e o PL nº 6.237/25 — que cria o Sistema Nacional para Desenvolvimento, Regulação e Governança de Inteligência Artificial — buscam dar mais segurança jurídica ao setor.
Entre os desafios apontados no estudo estão a capacitação e qualificação profissional (15,6%) e o letramento da população sobre IA (12%). A remuneração média de profissionais no Brasil fica em torno de US$ 31 mil por ano, segundo a CBRE, o que pode influenciar a disputa global por talentos. Na visão de um terço dos entrevistados, São Paulo está mais avançada que outras regiões do Brasil e da América Latina em termos de especializações como desenvolvimento de software, ciência de dados, IA e infraestrutura de nuvem.
O levantamento conclui que o mercado brasileiro de IA pode alcançar US$ 99,85 bilhões até 2033, com taxa de crescimento anual de 24%.
Com informações de Forbes