Empreendedorismo

Maria Gal descreve preparo para interpretar Carolina Maria de Jesus em filme premiado em Cannes

22.05.2026 | Por: Gudyê KondZilla

A atriz e produtora Maria Gal apresentou detalhes do processo de preparação para interpretar Carolina Maria de Jesus na cinebiografia baseada em Quarto de Despejo, que recebeu um prêmio no Festival de Cannes. Segundo Gal, para incorporar a escritora ela perdeu 18 quilos, trabalhou com preparadores de elenco do Brasil e dos Estados Unidos e percorreu ruas de São Paulo em busca de maior imersão na rotina que inspirou a obra.

O longa, dirigido por Jeferson De e com produção de Clélia Bessa, tem ainda Sara Silveira, Cris Arenas e Rosane Svartman como produtoras associadas e parceiras criativas. A produção está em fase de finalização e tem estreia prevista para 2027.

O projeto foi selecionado para o programa Goes to Cannes, do Marché du Film, que destaca filmes em desenvolvimento e talentos emergentes. Entre os cinco títulos brasileiros levados ao evento nesta edição, a cinebiografia de Carolina recebeu o prêmio da A.H. Media Production, que concede 10 mil euros aos produtores. A distinção, segundo a equipe, sinaliza o interesse do mercado internacional pelas narrativas brasileiras e pelo potencial de alcance global dessas histórias.

Quem foi Carolina Maria de Jesus

O filme retrata a trajetória da escritora nascida em Sacramento, Minas Gerais, em 1947, que se mudou para São Paulo e passou a viver na Favela do Canindé. Mãe solo de três filhos, ela sustentou a família como catadora de papel e empregada doméstica. Com apenas dois anos de escolaridade formal, Carolina manteve registros em diários sobre a fome, a violência e o cotidiano da favela, material que originou Quarto de Despejo, publicado em 1960 e reconhecido como marco da literatura brasileira.

A obra foi traduzida para 16 idiomas e alcançou cerca de 3 milhões de exemplares vendidos, projetando Carolina internacionalmente. Além de sua produção literária, ela se dedicou a contos, crônicas, letras de música, peças teatrais e trabalhos têxteis. Carolina morreu em 1977, aos 62 anos.

O processo artístico de Maria Gal

Maria Gal relatou que encontrou Quarto de Despejo em um sebo de São Paulo e se sentiu imediatamente impactada pela força e pela lucidez da autora. Antes do filme, a atriz já havia montado um espetáculo inspirado na obra. Ela descreve o projeto cinematográfico como um trabalho desenvolvido por anos que modificou sua trajetória pessoal e profissional.

Imagem: Divulgação

Além da preparação com coaches nacionais e internacionais, Gal disse ter recorrido ao jejum intermitente durante o processo para experimentar aspectos físicos da personagem. A atriz afirmou também ter sentido a responsabilidade de representar uma figura de grande relevância social e cultural.

O reconhecimento em Cannes é visto pela equipe como um sinal de que a história de Carolina atravessa fronteiras e gera interesse internacional mesmo antes da estreia oficial.

Com informações de Forbes

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