O que tá rolando no rap nacional em 2019

Autor: Gabriela Ferreira

Fotos por: Arte // Portal KondZilla

Rap | 08/07/2019 12:52:44

Anexo faltante

Estamos só na metade do ano e 2019 já nos reservou muitos discos bons. Aqui no Brasil, a galera do rap tá mandando ver e lançando alguns trampos bem interessantes que vale a pena comentar. Por isso, nós do Portal KondZilla separamos alguns sons massas pra você entender um pouco do que tá rolando no gênero.

O rap chegou aqui no Brasil lá no finzinho dos anos 1980 e se estabeleceu em São Paulo, cidade que foi casa do ritmo por muito tempo, principalmente por causa de grupos como Racionais MC’s, RZO e mais tarde artistas como Emicida e Criolo. Com o crescimento da cultura hip hop, o que era muito a cara das quebradas paulistanas, foi se espalhando por outros estados e chegou no Rio de Janeiro revelando artistas como Planet Hemp, que de banda saiu rappers como Black Alien, Marcelo D2 e BNegão . Depois de se estabelecer nas terras cariocas, o rap continuou se espalhando e chegou no Nordeste. O rap nordestino ganhou destaque nacional principalmente depois do lançamento de “Sulicidio” (2016), faixa composta por Baco Exu do Blues e Diomédes Chinaski, ambos do nordeste, que fez com que as portas pros rappers de lá se abrissem. Agora, o rap tá crescendo em vários estados, e isso faz com que a gente tenha cada vez mais e mais coisas boas pra ouvir. Se liga.

#Nego Gallo – Veterano

Nascido e criado em Fortaleza, o Nego Gallo é um veterano do rap, daí que vem o nome de sua primeira mixtape solo, lançada no começo desse ano. O rapper começou sua jornada lá em 2007, com o grupo Costa a Costa, projeto dele com o Don L, que se popularizou com sons como “Enquanto Num Vim” e “Viva Agora“. Antes mesmo de lançar seu primeiro trabalho solo, Gallo cresceu com a faixa “Aquela Fé“, que aparece no disco “Roteiro Para Ainouz Vol. 3” (2017), do Don L.

“Veterano” traz muita visão de Fortaleza, cidade de onde Gallo é, tanto na caneta quanto na sonoridade. Além dos beats de rap, a mixtape ainda tem muita influência de reggae e cumbia, dois estilos muito ouvidos no Ceará. Nas letras, o rapper mostra as partes boas e ruins de Fortaleza. Pra sacar o disco, recomendo que você ouça “O Bagui Virou”, que ele cantava em shows solo e com o Don, e mesmo antes de ser lançada oficialmente, já era sucesso. Outras que dão pra entender um pouco do “Veterano” são: “Downtown” e “Onde Há Fogo Há Fumaça“.

#Black Alien – Abaixo de Zero: Hello Hell

Black Alien é quase uma lenda do rap. Em 2004, ele soltou seu primeiro disco, o “Babylon By Gus“, um dos álbuns mais aclamados do rap nacional. Nascido no Rio de Janeiro, o Mister Niterói foi um dos primeiros rappers de fora de SP que se consagram na cena. Depois de muitos anos, o Black Alien voltou com “Babylon by Gus: No princípio era o verbo“, de 2014, e agora vem com uma nova pegada.

O disco “Abaixo de Zero: Hello Hell” é um retrato bem íntimo da vida do rapper porque nas letras, o artista fala abertamente sobre estar sóbrio, tipo na faixa “Aniversário de Sobriedade“, e como foi pesado esses anos em que lutou contra a dependência química, como em “Carta Pra Amy“. Além dessas duas músicas, outras que passam bastante a visão do que é o disco são “Área 51” e “Capítulo Zero“.

#Djonga – Ladrão

Djonga chamou atenção da galera em 2017, quando lançou seu primeiro disco, “Heresia“. Desde esse primeiro lançamento, já é quase lei no rap nacional que em toda segunda semana do mês de março, o rapper de Minas Gerais nos presenteie o público com algum trabalho, como foi em 2018 com o álbum “O Menino Que Queria Ser Deus“, e agora esse ano, com “Ladrão”, que inclusive estivemos no show de lançamento do trabalho em São Paulo e te contamos como foi.

Um lance muito foda do “Ladrão” é que o Djonga se volta pra sua família, como se a resposta pra vários questionamentos atuais estivessem nos mais velhos. Isso é bem explícito na faixa “Bené” Por meio de dez faixas, o rapper ainda debate sobre racismo, tipo em “Hat-Trick” e fala sobre amor, como na lovesong “Leal“.

#Sidoka – Sommelier

Se você acompanha um pouco do rap, vai lembrar que na música “UFA“, o Djonga liga pro Sidoka pra ele trazer aquele flow [aquele flow, aquele flow, aquele flow]. Pois é, o mineiro trouxe muita coisa. O Sidoka é uma das principais caras do trap nacional e lançou seu primeiro disco, “Elevate“, no finzinho de 2018, e em 2019 já soltou mais um EP, o “Sommelier“.

Sempre de juliet e de luva, o Sidoka tem um flow único e nas suas músicas, fala de várias fitas: minas, dinheiro e afins. O mineiro tem sons com o Aka Rasta, Sagaz e outros nomes do trap nacional.

#Coruja BC1 – Psicodelic

O Coruja tá no game desde 2014 com o lançamento da mixtape “A Voz do Coração“. O cria de Osasco chegou a lançar seu primeiro disco, “No Dia dos Nossos” em 2017 e colaborou com vários rappers da cena, como Rodrigo Ogi e Diomédes Chinaski.

A agora em 2019, o rapper nascido em Osasco soltou seu segundo disco “Psicodelic“. Com 14 faixas, o álbum debate muitos temas, mas o principal é o racismo e como o preconceito esteve presente durante toda a vida do rapper.

#Mais Sons

Esses são algumas das coisas fodas que já rolaram esse ano. Além dos discos, ainda rolou muito som bom, tipo “Novo Rico“, do Jé Santiago, “Volta Por Cima“, do BC Raff (Raffa Moreira) e “Balão“, do Orochi. Além desses sons ainda rolou “Deus e Família”, do Delano com o MC Hariel e o Djonga e “40 Metros“, do PP da VS, que vem nessa mescla de influências do rap com o funk mostrando que os artistas dos dois gêneros tão correndo cada vez mais juntos.

Estamos só na metade do ano e já vieram vários sons fodas e as coisas não param de aparecer. Vamos aguardar pra ver o que mais vem por aí porque a galera não tá de brincadeira quando se trata de lançar música.

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