Grupo Imperadores da Dança ganha competição no Faustão

Autor: Gabriela Ferreira

Fotos por: Acervo Pessoal

Entrevista | 11/06/2019 16:57:01

Anexo faltante

Com muito apoio da favela, o grupo Imperadores da Dança levou a melhor no quadro “Dança de Grupo”, do Programa do Faustão, que escolheu seu vencedor no último domingo (9). O quadro surgiu no começo de maio e a cada semana, os oito grupos finalistas precisavam dançar os mais variados tipos de música e ganhar a aprovação da galera do auditório e do público de casa. Ao todo foram 90 grupos participantes. O Portal KondZilla trocou uma ideia com o Severo, um dos integrantes do grupo para falar mais sobre essa conquista.

O Programa do Faustão, que é muito conhecido por seus quadros de dança, abriu um projeto especial para os grupos de dança. Foi assim que surgiu o “Dança de Grupo”, que começou em maio e terminou no último domingo. Durante as últimas semanas, os oito grupos participantes disputaram pelo prêmio de R$ 100 mil.

Para ajudar os competidores, os dançarinos eram apadrinhados por algum famoso vencedor do quadro “A Dança dos Famosos”, como a jogadora de basquete Hortência, o humorista Lucas Veloso, e outros artistas. No caso do Imperadores da Dança, a madrinha foi a Viviane Araújo.

“Cada conquista importante é pro crescimento do movimento passinho, tipo quando o passinho virou patrimônio histórico, quando a gente se apresentou nas Olimpíadas do Rio, e agora que nós que dançamos passinho podemos tirar a DRT na modalidade dança”, comenta Severo sobre a vitória. “É difícil você ver o passinho ganhar um programa, acho que essa foi a primeira vez. E a gente dançou descalço, que é a origem, a gente não descaracterizou ou embranqueceu o passinho, nem fez nada mais gourmet, foi o mais original possível e o público aceitou”.

Além de ser um avanço muito massa e importante para o funk, esse destaque incentiva as pessoas a criarem seus próprios grupos e ir espalhando a dança. “Outros grupos viram e começaram a se organizar depois de ver a gente na TV. Isso ajuda a cultura de grupos se fortalecer”.


Severo e Viviane Araújo

A experiência de participar do quadro foi muito boa pro grupo, e ser apadrinhado por Viviane Araújo também foi uma coisa muito legal. “A Viviane é a melhor pessoa do mundo. Ela entende a nossa realidade e fala a mesma língua que a gente, por causa disso, ficou tudo muito mais fácil. Além disso, como ela é dançarina e tava cheia de vontade, ela pegou fácil os passinhos”, conta Severo.

Para se preparar para os desafios da semana, o IDD teve que se virar, digamos assim, pra conseguir. “A gente ensaia nas ruas da favela, mas em dia de tiroteio ou de chuva, a gente tinha que procurar outro lugar pra se reunir”, explicou o dançarino. “Nós costumamos ir no Museu de Arte Moderna do Rio pra dançar embaixo da marquise, só que tinha um pessoal que às vezes não tinha o dinheiro da passagem, aí tinha que dançar na rua pra conseguir dinheiro”. O dançarino conta que apenas na última semana, em que Viviane Araújo tinha que dançar juntamente com os meninos, que eles puderam utilizar o Projac para ensaiar.

A dança pode fazer a diferença

Um dos maiores representantes do passinho foda, o Imperadores da Dança foi criado em 2008, no morro do Jacaré, zona norte do Rio, por Anderson Santana, que é mais conhecido pela galera como Baianinho. Além de se apresentar nas Olimpíadas do Rio, eles já se apresentaram nas Olimpíadas de Londres, em um Festival nos Estados Unidos e outro na Suíça.

O passinho não é só um movimento, ele é algo que muda a vida da galera, além de ser uma profissão que pode trazer frutos para aqueles que se dedicam à dança “Sempre gostei de dançar desde que eu tinha uns 5 anos, quando eu conheci a capoeira. Aí, quando eu tinha uns 11 anos, fui atropelado e passei um ano sem andar. Nisso, eu fui numa festinha de rua e vi uma apresentação de dança d’Os Ousados. Fiquei impressionado e bateu a vontade de ser dançarino. Conversei com o Pit, que é integrante do grupo, e ele me explicou que aquela era a profissão dele, que ele comprou casa e sustentava a família com a dança, aí depois disso virei dançarino”.

Pensando ainda mais nessa questão de levar a dança como profissão, um grupo de passinho ganhar uma competição como essa do Programa do Faustão, um programa de grande destaque nacional, ajuda a passar a mensagem da dança, como ela é boa não só pra se divertir, como também é uma coisa muito séria e pode ser uma profissão. A dança pode mudar o futuro do jovem de favela.

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