Da várzea pro mundo: conheça a história do Guilherme Ferreira, que criou um Instituto que reúne educação e esporte para ajudar crianças de baixa renda
Créditos: Reprodução // Redes Sociais
- Por Redação

Da várzea pro mundo: conheça a história do Guilherme Ferreira, que criou um Instituto que reúne educação e esporte para ajudar crianças de baixa renda

Hoje é sexta-feira, dia de Conte Aqui Sua História, o projeto da KondZilla que abre portas pra você falar mais do seu corre. Dessa vez, quem aparece por aqui é o Guilherme Ferreira, cria da várzea que cresceu e criou um Instituto pra ajudar as crianças de baixa renda. Pega a visão:

“Salve KondZilla, meu nome é Guilherme Ferreira, tenho 29 anos. Fui criado na Várzea, em um campo do ABC chamado SECI, onde meu pai jogou e fundou um projeto social que dá aula até hoje. A ideia dele era tirar o molecada de perto da criminalidade e drogas, pois o sofrimento das famílias era muito grande.

Cresci vendo o sonho dele de ter mais estrutura pros alunos do projeto, e pensando que minhas oportunidades e de meus amigos seriam bem melhores com uma estrutura de qualidade. 

O tempo passou, quando comecei a trabalhar aos 14 anos, coloquei na minha cabeça que aprenderia a falar inglês e moraria em outro país. Poucas pessoas acreditavam em mim, mas foi dito e feito, fui morar na Austrália e ganhei fluência em inglês com apenas 6 meses no país. Muitas histórias e aprendizados por lá.

Voltei, queria conhecer a Europa, mas não tinha grana. Arrumei um trabalho como garçom em um navio de cruzeiro, passei 6 meses trabalhando com os drinks, até que o navio aportou na Itália. Peguei minha mochila e me joguei no mundão mais uma vez.

Mais uma vez no Brasil, agora com 21 anos, queria estudar e não tinha grana. Estudei e consegui uma bolsa integral na Faculdade Santa Marcelina para o curso de Relações Internacionais. Os primeiros anos foram difíceis, mas conheci o amor da minha vida lá, uma mina que sempre me incentivou e pagou meu lanche no intervalo por quase dois anos.

Já na faculdade comecei a questionar toda estrutura injusta do sistema e queria lutar para que as crianças que vinham de onde vim tivessem mais oportunidades para realizar seus sonhos. O caminho era aquele, o projeto social, mas de forma estruturada e transformadora.

Então junto com a Odara, comecei esse sonho chamado Instituto SECI. Pra variar, quase ninguém acreditava que seria possível. Esporte, cultura e educação em um campo de várzea? Reforma do campo? Construção de sala de aula? Construção de sala de música? hahahaha. Tá viajando.

Pra resumir, hoje o Instituto SECI atende 450 crianças e adolescentes de baixa renda, têm 19 funcionários, o melhor campo de futebol de várzea do ABC, reforço escolar, aulas de inglês, futebol feminino, futebol masculino, violino, violão, guitarra, contrabaixo, teclado, canto, bateria, trompete, trombone e somos referência de atuação no Estado de São Paulo.

As barreiras para jovens como eu no mundo das ONGs são as mesmas que vocês enfrentam no mundo da comunicação, quem tá lá em cima sempre desacredita da nossa capacidade de trabalho e temos que provar 3 vezes mais para alcançar as migalhas.

Mas a força de vontade que adquirimos com os sonhos e a falta de acesso quando crianças nos fortalece, com este cenário, é difícil nos pararem. O Brasil é o país do futebol, mas esqueceram de incluir a palavra amador no final da frase.  A várzea faz parte da cultura do nosso país e só sobrevive porque existem pessoas como nós, que amam e lutam diariamente pelo esporte. Nosso estilo de vida, com os jogos e o samba aos finais de semana, e a participação nos projetos sociais quando criança, jamais será entendido por quem nunca foi NÓIS. Tudo que nóis tem é nóis!”.

E aí, curtiu? Aproveita e manda a sua pra gente no e-mail conteaquisuahistoria@kondzilla.com e não se esqueça de nos mandar seu contato, redes sociais e fotos!


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