Como Cidade Tiradentes vem reagindo a pandemia do coronavírus

Autor: Wenderson França

Fotos por: Reprodução // Facebook Cidade Tiradentes da Depressão

Coronavírus / Covid-19 | 13/05/2020 12:50:19

Cidade Tiradentes, bairro com 211.501 mil habitantes (Censo 2010), para entender como as comunidades da zona leste de São Paulo estão vivendo e se reinventando durante a pandemia. Trocamos ideia com um estudante que viu a rotina impactada, mas enxerga com bons olhos por ter mais tempo livre para estudar e ficar com a família; com o comerciante que chegou perder o ponto do estabelecimento, mas encontrou no delivery forma de continuar fazendo dinheiro; e com a galera da união do time de várzea do bairro que vem realizando um trabalho social dando a oportunidade para pessoas aliviar as preocupações causada pelo desemprego enquanto realiza uma boa ação.

O Brasil ultrapassou a casa dos 160 mil casos de Covid-19 na última semana, chegando ao número alarmante de 11 mil mortes em todo o país, e estados como: Maranhão, Pará e Fortaleza tendo que decretar lockdown (espécie de isolamento social mais drástico) para evitar o contágio. Dentre todos esses os acontecimentos causado pela pandemia, quem mais vem sofrendo são os moradores das favelas.

Por isso, entenderemos as formas encontradas pelas comunidades para se reinventar dando assim prosseguimento às atividades rotineiras. Como os moradores estão enfrentando as dificuldades surgidas com a pandemia e até mesmo mostraremos a união de pessoas que vêm unindo forças para ajudar o próximo.

Falta de comprometimento com o isolamento social

No estado de São Paulo o isolamento social ficou abaixo da média esperada pelo governo. Na última semana entre segunda e sexta-feira a média de isolamento ficou entre 48 e 50%, sendo que o esperado pelo governo é no mínimo 55%. “Infelizmente a favela não tem se cuidado e nem se resguardado”, conta Ale Silva, responsável pela distribuição de alimentos na Cidade Tiradentes.

Também morador do bairro, Marcelo Alves, estudante, de jornalismo complementou. “Uma galera segue as recomendações, porém, isso não se aplica para todos”, explicou. “Tem comerciantes que não aderiram a quarentena e não estão nem ao menos evitando aglomerações em seus estabelecimentos”.

Vinicius Gustavo, dono de uma tabacaria na quebrada, também expressou sua preocupação. “Onde moramos as pessoas não estão levando a sério a pandemia. Final de semana as ruas estão lotadas, esquinas lotadas, barulho de moto pra lá e pra cá como se estivesse tudo normal”. Gustavo relata que é como se nada estivesse acontecendo. “As pessoas não estão ligando, é como se tudo isso fosse uma mentira, mas até alguém da família ou próximo pegar o vírus”.

Segundo a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), o isolamento social é importante para prevenir o contágio do novo coronavírus evitando o colapso do sistema de saúde público.

Venenos e reinvenção

Mesmo perdendo o ponto de seu comércio, Vinícius vem buscando formas de se reinventar e trabalhar dentro da lei. “Infelizmente o dono do local onde era a tabacaria pediu o ponto de volta porque eu não estava mais conseguindo pagar depois que entrou o segundo mês de quarentena”. A saída foi investir no delivery. “Está difícil, maior corre louco, mas estou me virando, trouxe tudo para a minha casa, contratei uns motoboy e taquei marcha nos trampo aqui”.

35 milhões de brasileiros vivem sem saneamento básico, sabão e álcool gel então pode ser luxo. Pensando assim, Ale Silva e os times de várzea da Cidade Tiradentes estão no corre para ajudar os mais necessitados. “É gratificante para nós ver o sorriso, o olhar, de quem recebe as doações”, disse. “Além de auxiliar o nosso psicológico, já que muitos envolvido estão sem trabalho, nas ações é possível fazer o bem aliviando a tensão deste momento de dificuldade financeira”. Segundo o IBGE o desemprego subiu no país para 12,2% deixando 12,9 milhões de brasileiros desempregados, em janeiro a taxa era de 11,2% com 11,9 milhões desempregados.

Um morador da Cidade Tiradentes pode levar até 2 horas e 24 minutos para chegar ao trabalho no centro da cidade. Por esse e outros motivos, para Marcelo Alves, os impactos da pandemia teve um lado positivo. “Vejo Isso por um lado bom, estou conseguindo colocar minhas matérias da faculdade em ordem e ficando mais tempo com a família”. Ele conseguiu adaptar seu trabalho para home office. “No começo foi bem difícil, mas hoje estou me sentindo adaptado a essa nova forma de estudar e trabalhar. Eu acordo e já estou no meu trabalho, não preciso me deslocar ficando horas dentro do ônibus”.

Esperança e futuro

Mesmo diante de tantos acontecimentos, a esperança está viva nas favelas. “Estamos todos esperançosos para que possamos voltar às atividades normais”, disse Ale Silva, orientador sócio educativo. “Porém, preocupados com o auxílio e com as pendências que vão durar quatro meses ou mais”. Deseja ajudar os moradores da Cidade Tiradentes? Entre em contato com a união dos times pelas redes sociais.

Para Marcelo Alves, prestes a se formar no curso de Jornalismo, o futuro será diferente. “Que esse vírus seja uma aprendizado para humanidade. Estávamos precisando desse choque de realidade para entender que a vida vale muito mais que dinheiro, e por mais independente que você seja, um dia sempre vai precisar de alguém”, concluiu o jovem.

Para o comércio, é seguir se reinventando e manter o que der certo durante esses dias de luta. “Vamos continuar pegando firme no esquema dos delivery porque está tendo um retorno legal”, deu o papo Vinícius dono da GP Drinks. “Nesse meu ramo de tabacaria vai ficar difícil, porque mesmo quando passar tudo isso a fiscalização vai crescer em cima de nós. Com isso, eu espero para o futuro que os meus próprios clientes se conscientizem e passem a se cuidar”.

Mesmo com diversos venenos causados por esses momentos podemos ver que a quebrada está buscando uma forma de se reinventar e ajudar o próximo. Não tem perreco, a favela segue unida para que dias melhores possam vir.

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