Empreendedorismo

Luiz Calainho transforma arte em negócio e espera faturar R$ 380 milhões em 2026

17.05.2026 | Por: Gudyê KondZilla

O Conjunto Nacional, edifício histórico na Avenida Paulista entre as ruas Augusta e Padre João Manuel, é palco de uma nova fase cultural liderada pela L21 Corp, empresa de Luiz André Calainho. Inaugurado em 1958 com a presença do então presidente Juscelino Kubitschek e reconhecido como o primeiro shopping da América Latina, o complexo está sendo reposicionado como um centro de cultura e entretenimento.

A L21 Corp já administra o Teatro YouTube, localizado no térreo na Galeria Magalu, e prepara ampliações e novas operações nos andares superiores. No segundo piso, o Blue Note São Paulo deverá dobrar sua capacidade com a inauguração de uma nova sala ainda neste semestre. No piso intermediário, a empresa vai abrir este ano um centro de exposições imersivas com 2.700 metros quadrados, distribuídos em três salas imersivas, além de uma área gastronômica que contará com naming rights de um banco.

O grupo projeta faturamento de cerca de R$ 380 milhões em 2026, o que representaria crescimento de 20% sobre o ano anterior, e tem como meta alcançar meio bilhão de reais em até dois anos. “Tratamos arte e cultura como negócio, sim. A arte é soberana, claro, mas conquistamos esse patamar porque profissionalizamos nossas entregas”, afirmou Calainho em entrevista ao InfoMoney.

Plataforma de marcas e expansão internacional

A L21 se posiciona como uma plataforma de comunicação que conecta grandes marcas à cultura, com clientes e parceiros como Google e B3. Segundo a empresa, uma tecnologia própria para entrega de naming rights permite oferecer mais do que exposição de marcas. A Arena B3, resultado da requalificação do espaço do antigo pregão da Bolsa, é citada como exemplo da integração entre marcas e atividades culturais.

Hoje, o grupo reúne oito equipamentos culturais e uma equipe que soma mais de 8 mil pessoas, entre contratados diretos e indiretos. A L21 integra a economia criativa que movimenta aproximadamente R$ 230 bilhões por ano no país.

Negócio, portfólio e planos futuros

Com origem no início dos anos 2000 após a passagem de Calainho pela Sony Music, a L21 Corp conta com 18 unidades de negócio que abrangem plataformas de conteúdo, rádios FM, casas de show, conferências, festivais, teatros musicais e centros de experiência com naming rights. O portfólio deve aumentar nos próximos anos.

Entre projetos anunciados está o primeiro hotel da rede Blue Note, previsto para 2029 em Copacabana, no Rio de Janeiro, com rooftop dedicado ao jazz e à bossa nova. Há também planos avançados para abrir casas Blue Note operadas pela L21 em Miami e Zurique com um “mood Brasil-Latino”. A produtora de teatro musical do grupo, Aventura, pretende abrir um escritório em Londres para levar produções brasileiras à West End, com espetáculos como “Elis” e “Hip Hop Hamlet”.

Imagem: Ap

Calainho defende a promoção internacional da cultura brasileira como ferramenta de desenvolvimento e compara o potencial a iniciativas externas, citando o caso da Coreia do Sul com K-pop e doramas. “Somos a maior potência cultural do mundo. Só na música, são mais de 300 gêneros. O Brasil precisa, de uma vez por todas, entender a força desse ‘soft power’ que nós temos”, disse.

Soberania da experiência

O executivo afirma ainda que, apesar do avanço da tecnologia — incluindo inteligência artificial e plataformas de streaming —, a experiência presencial mantém valor único. Para ele, a “soberania da experiência presencial” e a chamada “fadiga digital” impulsionam a procura por eventos ao vivo, justificando o crescimento dos empreendimentos do grupo.

A L21 segue com expansão de espaços, produtos e parcerias com o objetivo de consolidar a relação entre marcas e cultura no Brasil e no exterior.

Com informações de Infomoney

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