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Liga do Funk volta com curso de MCs nesta quinta (26)

24.09.2019 | Por: Renan Omura

Ser MC e conquistar o universo do funk é o sonho de incontáveis jovens da periferia. No entanto, a difícil realidade de quem mora na quebrada muitas vezes não permite alcançar esse objetivo. Para dar oportunidade a molecada, o projeto social Liga do Funk, localizado no espaço Ação Educativa, Vila Buarque, região central de São Paulo, está voltando com as atividades nesta quinta-feira (26), às 14 horas.

A ação oferece gratuitamente aulas de canto, dança, postura de palco, além de promover rodas de conversas e apresentações artísticas. O programa foi criado pelo empresário e atual presidente da Liga Marcelo Galatico em 2012, com o objetivo de possibilitar novas opções de carreira para os jovens da quebrada e profissionalizar o funk paulista.

Ao todo, a iniciativa já beneficiou mais de 30 mil pessoas de todo Brasil e lançou artistas consagrados na cena. Entre eles o MC Kekel e MC João. Também estiveram presente no projeto o MC Menor da VG, MC Lil, MC MM entre outros.

Durante seis anos consecutivos, a iniciativa promoveu encontros semanais e contou com a colaboração de diversas pessoas. Fizeram parte da diretoria da Liga os articuladores Andressa Oliveira e Bruno Ramos.

No segundo semestre de 2018 o grupo encerrou as atividades por falta de apoio. No entanto após receber inúmeros pedidos para voltar com as ações, os organizadores decidiram retomar os trabalhos. As atividades serão realizadas uma vez por mês, das 14 horas às 18 horas.

O diretor social da Liga Willian Lages, vulgo Wilshow, de 49 anos, está à frente da iniciativa e ressalta a importância da ação. “Esse trabalho que o Marcelo criou, além de contribuir com a formação musical da garotada, também resgata os jovens da rua e oferece a eles oportunidades de inclusão. Por isso temos que continuar”, ressalta.

Mais do que abrir portas, o programa também faz o direcionamento dos jovens nas áreas de atuações. “Chegando aqui, percebemos qual área ele opera melhor. Ele pode ser MC, pode dançar, ser DJ, produtor musical, fotógrafo e até filmmaker”, explica Willian.

Diretor social da Liga do Funk Willian Lages

Durante a roda de conversa os participantes têm a oportunidade de se conhecerem. O exercício abre espaço de fala para os mais tímidos e ajuda na inclusão.

No final do dia, tem o quadro “Cadeira elétrica”, em que artistas renomados participam de uma entrevista coletiva. Já fizeram parte do programa MC Menor da VG, Emicida, MC João, Mr. Catra entre outros.

“Aqui qualquer um pode participar. Independente da orientação sexual, da idade, raça ou classe. Todo mundo é bem-vindo”, afirma Willian.

Ezequiel Soares da Silva, 34, artisticamente conhecido como MC Necx, faz parte da Liga desde a formação. Com vasta experiência musical, além de cantar e dançar, ele dá aula de postura de palco.

Para Ezequiel, o projeto combate o preconceito contra o funk. “As pessoas criticam o estilo, mas não conhecem a nossa realidade. Com esse projeto já palestramos em faculdades e mostramos pra eles a nossa cultura”, conta.


Ezequiel Soares da Silva, vulgo MC Necx

Ao falar da importância do trabalho, Ezequiel ressalta. “Aqui oferecemos educação, cultura e inclusão para os jovens da quebrada. Ações que o governo deveria fazer”, conclui.

Everton John, 30, mais conhecido como MC da City, mora em Ferraz de Vasconcelos, zona leste de São Paulo. Ele participa da iniciativa desde 2016 e atualmente divide a vida em dois momentos: atuar como vendedor na Rua 25 de Março e cantar funk.

“As rodas de conversa me ajudaram muito. Eu me conscientizei a respeito das drogas e mudei as minhas letras também. Às vezes a música pode estar até daora, mas se tá ofendendo a mina, temos que repensar”, relata.


Everton John, vulgo MC da City

Para muitos, a Liga do Funk é uma oportunidade para entrar no mercado musical. Camila Dantas da Silva, 28, mais conhecida como MC Nicky, morava em Assis, município do interior de São Paulo. Em 2015 ela conheceu a Liga pela internet e se mudou à capital paulista para participar do projeto.


Camila Dantas da Silva, mais conhecida como MC Nicky

“A Liga é uma escola pra mim. Aqui eu aprendi a me portar no palco, perdi a timidez e encontrei estruturas para gravar as minhas músicas. Me abriu várias portas, só tenho a agradecer”, relata Camila. Hoje a MC é autônoma e assim como muitos, ela sonha em viver apenas do funk.

Fernando Conceição, mais conhecido como MC Nando, frequenta a Liga desde 2017, e é grato por tudo que aprendeu. Aos 16 anos ele relata ter planos para seguir carreira no universo do funk. “Aprendi muito com o pessoal do projeto. Fiz várias amizades e conheci MC’s que me abriram portas. E na volta do projeto vou colar com a rapaziada”, concluiu.


Fernando Conceição, mais conhecido como MC Nando

O trabalho social também levantou a bandeira para estabelecer o dia 7 de julho como data estadual do funk. O projeto de lei sancionado em 2016, homenageou o MC Daleste assassinado na mesma data em 2013. Hoje o desafio da Liga é encontrar voluntários que possam colaborar com a iniciativa.

A Liga do Funk retorna as atividades nessa quinta-feira (26), às 14 horas, no endereço Rua Gen. Jardim, 660, Vila Buarque, São Paulo. A entrada é gratuita e além das aulas e rodas de conversas, terá um convidado surpresa no quadro “Cadeira elétrica”.

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