Itaúsa e GIC lideram aporte de até US$ 5 bilhões na Aegea para possível oferta pela Copasa
A Aegea negocia a entrada de até US$ 5 bilhões em capital novo liderado pelo fundo soberano de Singapura GIC e pela holding Itaúsa, segundo pessoas a par das conversas. Parte dos recursos deve ser destinada a sustentar uma eventual proposta pela estatal mineira Copasa, atualmente em processo de privatização.
Segundo as fontes, além do montante que pode financiar uma oferta pela Copasa, a Aegea pretende reservar aproximadamente R$ 2 bilhões para reduzir sua alavancagem. Com a operação de capitalização, a relação entre dívida líquida e Ebitda da companhia cairia para 3,5 vezes, ante 3,89 vezes no primeiro trimestre.
A empresa contratou Itaú BBA, Citigroup e BTG Pactual como assessores para uma possível disputa por uma participação de 30% na Copasa, e as negociações com potenciais financiadores ainda estão em andamento, de acordo com as mesmas pessoas.
Na proposta de aporte, a controladora Equipav Saneamento faria uma injeção menor de recursos, resultando em diluição de sua participação. A Itaúsa teria concordado em aportar ao menos R$ 1,5 bilhão, enquanto o GIC colocaria cerca de R$ 3 bilhões para manter suas participações proporcionais na Aegea.
A Aegea não comentou o assunto, e GIC, Itaúsa, Itaú BBA, BTG Pactual e Citigroup não responderam imediatamente a pedidos de posicionamento.
O movimento ocorre em meio a maior escrutínio de investidores sobre a Aegea após o adiamento da divulgação de seus resultados. No mês passado, a S&P Global Ratings e a Fitch Ratings rebaixaram a companhia para níveis especulativos.
Em resposta, a Aegea revisa práticas de governança e contratou assessores para avaliar melhorias em comitês internos e controles. A companhia também tem adotado medidas para reduzir custos e conter investimentos, com objetivo de reforçar liquidez e reduzir a alavancagem para cerca de três vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda até 2028.
Imagem: Imagem Divulgação
A empresa se prepara para retomar um novo ciclo de expansão após anos de crescimento por leilões e aquisições, incluindo a compra da Corsan no Rio Grande do Sul. No início deste ano, a Aegea informou que avaliava uma potencial oferta pública inicial de ações.
A privatização da Copasa e eventuais parcerias estratégicas tornaram-se temas centrais em Minas Gerais, enquanto o estado busca investimentos para cumprir metas de universalização do saneamento previstas no marco legal de 2020. A expectativa é que a Aegea enfrente concorrência da Sabesp, que também estuda uma oferta e contratou o Banco Bradesco como assessor, segundo a Bloomberg.
O setor de saneamento no Brasil tem se mantido ativo desde a aprovação do marco legal de 2020, que impulsionou concessões e privatizações para ampliar cobertura de água e esgoto.
Por Rachel Gamarski
Com informações de Investnews