Empreendedorismo

Drones de pulverização ganham espaço no campo e desafiam tratores e aviões agrícolas

19.05.2026 | Por: Gudyê KondZilla

Centenas de fazendas no país estão adotando drones de grande porte para aplicar defensivos e fertilizantes, reduzindo custos e uso de água.

Equipamentos de pulverização aérea com capacidade e porte semelhantes a uma mesa de jantar, equipados com oito hélices de 1,3 m e um reservatório de 40 litros, têm substituído parte dos pulverizadores terrestres nas lavouras brasileiras. Os bicos instalados nas pontas liberam gotas que cobrem faixas amplas, promovendo aplicações mais rápidas em comparação a máquinas convencionais.

Segundo Ricardo Campanelli, superintendente agrícola do grupo Campanelli, que opera culturas como cana e milho e cria gado na região de Bebedouro (SP), o custo é um fator decisivo: drones agrícolas amplamente usados no Brasil têm preço abaixo de R$ 200 mil, enquanto pulverizadores terrestres custam a partir de R$ 1,2 milhão. “E o rendimento é pau a pau”, afirma Campanelli.

Além do custo, o equipamento se destaca pela versatilidade. A Campanelli relata uso flexível entre fazendas — um drone pode aplicar um produto em Altair pela manhã e ser levado a Severínia à tarde para outro insumo, procedimento inviável com um pulverizador de 2.500 litros que exige lavagem de tanque, 50 metros de mangueira e dezenas de bicos, além do transporte de máquinas de cerca de 10 toneladas, ante aproximadamente 50 quilos de um drone.

Economia de água e combustível

O uso reduzido de água é ponto central: enquanto um pulverizador terrestre costuma empregar cerca de 100 litros de calda por hectare, drones trabalham com 5 a 10 litros por hectare. A engenhosidade está no fluxo gerado pelas hélices próximas aos bicos, que empurra as gotas em direção à plantação, permitindo gotículas menores e concentrações maiores de defensivo. O efeito, segundo produtores, pode representar economia de até 95% de água e também menor consumo de diesel, por reduzir o transporte de calda.

Na prática, a Campanelli começou a empregar drones em 2023 como alternativa em períodos de chuva, quando pulverizadores sobre rodas atolam. Três anos depois, os aparelhos deixaram de ser apenas solução de emergência para assumir papel central nas operações.

Modelos, capacidade e concorrência com aviões

O grupo utiliza atualmente o modelo T50, da DJI, que responde por cerca de 83% da frota de drones agrícolas no país, e encomendou o modelo T100. O T100 aceita 100 litros de calda e atinge até 49 km/h, elevando a capacidade diária de pulverização de 80 hectares para pelo menos 150 hectares.

Imagem: Divilgação

Apesar de os drones avançarem, eles não substituem totalmente aviões agrícolas. Cláudio Junior Oliveira, diretor do Sindag, afirma que um avião pulveriza, em média, 50 mil hectares por safra, enquanto um T100 tende a alcançar entre 4 mil e 5 mil hectares por safra. Em regiões com relevo acidentado e presença de árvores, como parte do interior de São Paulo, drones podem ser mais eficientes por permitir aplicações mais próximas ao solo e operar com mais flexibilidade.

Financeiramente, uma dupla de T100 custa menos de R$ 500 mil, ante cerca de R$ 4 milhões de um avião agrícola típico. Outra vantagem operacional é a possibilidade de voar à noite; aplicações aéreas convencionais ficam restritas ao período diurno. As pulverizações em geral ocorrem até cerca de 10h ou 11h e retornam por volta das 16h30 (Brasília UTC-3) ou 17h, janela que os drones conseguem aproveitar também após o pôr do sol.





Expansão e registros

Os registros na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) indicavam 10.359 drones até o fim de 2025, quase o triplo do total em 2023 e equivalentes a cerca de 12% da frota de 82,5 mil pulverizadores terrestres. A tecnologia continua evoluindo: o T100 foi lançado em julho de 2025 e, em abril de 2026, a China apresentou o T200, com o dobro da capacidade, ampliando o potencial de uso.

Em muitas propriedades, portanto, a função do pulverizador terrestre já tem sido desempenhada pelo que produtores chamam de “trator no alto”, e a tendência é de continuação dessa adoção.

Com informações de Investnews

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