Descubra títulos isentos de grandes empresas já pagam em média ipca+ 8,4% ou cdi+ 3%. entenda as razões
Títulos isentos de grandes empresas já rendem IPCA+8,4% — alguns passam de 13%
Rendimento alto, Selic elevada e mais aversão ao risco abriram uma janela rara para debêntures, CRI e CRA
Nos últimos meses, investidores que buscaram papéis isentos de Imposto de Renda encontraram retornos pouco comuns: debêntures incentivadas e certificados de recebíveis negociados no mercado secundário oferecendo prêmios expressivos sobre a inflação e o CDI.
Levantamento do mercado mostra que um conjunto amplo de debêntures incentivadas — 357 títulos de empresas conhecidas — negocia, em média, IPCA + 8,41% ao ano. Em outra amostra, 30 papéis atrelados ao CDI apresentam média próxima a CDI + 3%.
Alguns exemplos saltam aos olhos. CRAs ligados à gigante formada por Marfrig e BRF entregam mais de IPCA + 10% em prazos como 2030 e 2031. CRIs da rede Dasa chegam a registrar rendimentos próximos a IPCA + 13,8%, patamar equivalente a cerca de 16% ao ano se comparado a um ativo tributado.
Por que os prêmios estão tão altos e onde eles aparecem
A combinação de uma taxa básica de juros elevada — com o mercado projetando Selic acima dos dois dígitos por mais tempo — junto com desaceleração econômica, empurrou para cima o prêmio exigido pelos investidores. O resultado: spread maior, inclusive em ativos com isenção fiscal.
No mercado secundário há debêntures da V.tal com vencimento em 2035 ofertando perto de IPCA + 10,6% ao ano. Entre títulos atrelados ao CDI, papéis da Cosan aparecem com rendimentos na faixa de CDI + 2,5% a CDI + 2,7% conforme o prazo.
Empresas de saneamento como a Aegea também veem seus papéis negociados com prêmios acima de CDI + 3,8% em alguns vencimentos. E, em valores absolutos, esses níveis superam faixas observadas em momentos mais resilientes do mercado.
Esse movimento não é isolado: reassessments de risco após pedidos de recuperação judicial ou extrajudicial — em casos recentes envolvendo Raízen, GPA, Oncoclínicas, Kora Saúde e o Grupo Toky — tornaram investidores mais seletivos e elevaram o preço do risco para emitentes corporativos.
Para dimensionar, durante a recessão de 2015-2016, títulos semelhantes também negociaram prêmios elevados — na faixa de IPCA + 8% a 9% — mostrando que cenários de incerteza podem criar oportunidades para quem busca rendimento e isenção fiscal.
Comparações rápidas mostram ainda a vantagem fiscal: um título tributado precisaria oferecer IPCA + 12,8% a IPCA + 13,7% para igualar alguns papéis isentos disponíveis hoje, dependendo da alíquota aplicada.
O mercado está mais seletivo e as melhores remunerações surgem em operações de empresas sólidas ou em papéis com garantias específicas. Esse contexto tem chamado atenção de diferentes perfis de investidores e redesenhado a curva de rentabilidade da renda fixa isenta.