Jovem de Itaquera conta como realizou o sonho de morar nos EUA

Autor: Wenderson França

Fotos por: Acervo // Patrick Lopes

Histórias que inspiram | 21/05/2019 12:46:40

Anexo faltante

É possível morar na favela e viajar para fora? É possível sim. Hoje, vamos contar a história do Patrick Lopes, um jovem da região Leste de São Paulo, mais precisamente do bairro de Itaquera, que conseguiu realizar o sonho de viajar pros EUA. Atualmente, ele retrata toda a sua experiência por meio de vídeos no youtube dando dicas para quem sonha em viajar pra lá também. O Portal KondZilla bateu um papo com ele pra entender sobre esse sonho realizado.

Da zona leste para o mundo, Patrick Lopes, saiu de casa por volta dos 18 anos e decidiu por si só que iria se aventura no tão cobiçado Estados Unidos, se aventurar não, fazer moradia. Para alcançar esse sonho, Patrick conquistou o primeiro emprego de telemarketing no Brasil e passou aproximadamente 1 ano e meio guardando todo o dinheiro que conseguia para realizar o seu sonho, acumulando quase R$25.000, estudando inglês e se preparando para morar fora. Com o canal do Youtube, ele retrata como foi para alcançar esse sonho e agora mostra o dia a dia da vida americana.

Morando em São Paulo, o rapaz criou um canal no YouTube para contar histórias, mostrar lugares de SP, falar de coisas que o agradava e quem sabe viver do que escolheu para si. Mas por muito tempo a coisa não andou bem como ele imaginava, mas para Patrick isso não pareceu ser um problema tão grande, logo, que a América estava muito próxima de ti e o menino era mesmo determinado.

Persistente o garoto realizou o sonho, a tão esperada chegada nos EUA. Mas ainda faltava o objetivo de viver do audiovisual. Foi então que Patrick começou a retratar sua vida na América e, de quebra, inspirar pessoas que carregam dentro de si o mesmo sonho. Quase três anos se passaram e hoje Patrick tem mais de 100 mil seguidores em seu canal do YouTube, além de poder trabalhar com bons equipamentos. Não é que ele conseguiu mesmo?!

Ficou interessado? Também sonha em morar em outro país? Cola mais que o Patrick trocou uma ideia maneira com o Portal Kondzilla e te conta um passo a passo desse corre.

Faz um panorama do seu momento atual?
Hoje eu sou estudante, criador de conteúdo para as redes sociais, além disso tenho meu próprio negócio fora do YouTube. Sou uma produtora de vídeos de um homem só e
tenho meu tour em NYC, onde levo pessoas para conhecerem a cidade. Também sou fotógrafo, produtor; as pessoas vêm para cá e me chamam pra conseguir locações, modelos, etc.

Aonde você morava aqui no Brasil?
São Paulo, SP. Zona Leste, Itaquera.

Tem muita diferença entre as comunidade nos EUA e Brasil?
Na minha experiência sim, as comunidades aqui são concentradas por “raça” e no Brasil vejo que todo mundo se mistura mais fácil. O racismo é mais evidente na sociedade aqui, talvez por esse motivo as pessoas tendem a se juntar com seus próprios. Brancos com brancos, Asiáticos com asiáticos, negros com negros e assim vai. Mas claro que há as exceções. Há um senso de orgulho muito maior do que no Brasil. Orgulho de ser americano, orgulho de ser negro, orgulho de ser imigrante. Eles são muito orgulhosos do espaço que conquistaram por aqui.

Como nasceu a vontade dentro de você de ir morar em outro país?
Falta de perspectiva para fazer o que eu realmente queria no Brasil. Pra ser sincero, há poucas opções do que fazer no Brasil quando se é pobre e termina o Ensino Médio. Não queria seguir aquele mesmo caminho que eu vi muita gente seguindo e se frustrando.

O inglês é primordial para conseguir ir morar em outro país?
Para conseguir morar não é primordial, muita gente mora aqui à mais de 10 anos e não fala inglês. É bem possível. Mas se você quer evoluir e deixar de ser um “peão”, o inglês é mais do que necessário. Não dá para conquistar nada grande sem falar a língua local de onde você mora.

A vida nos EUA é realmente mais “fácil”?
Esse é um mito, pelo fato do seu poder de aquisição ser maior, muita gente acha que a vida fica mais fácil. Não é verdade. É tão difícil quanto, é um leão por dia que você tem que matar, mas é outro leão. É lidar com a insegurança de sempre se sentir um forasteiro. Isso é muito mais difícil do que parece.

Como que foi a caminhada até você chegar aí? Um passo a passo?
Passei no ENEM pra fazer economia na universidade federal do rio grande do sul, perdi a data de inscrição, minha família não tinha condição de bancar uma faculdade privada, fiquei estudando em casa pra tentar no outro ano, na metade do caminho desisti de fazer faculdade no Brasil e arrumei um emprego, juntei uma grana, vim pra cá com visto de turista, trabalhei em “subempregos” juntei mais grana pra renovar meu visto e estudar aqui, e assim ter a oportunidade de viver aqui por mais tempo.

Qual foi a primeira coisa que você pensou ao chegar nos EUA?
A primeira coisa que pensei foi que quem mora aqui tá pelo menos 10x na frente de quem tá lá no Brasil. Seu dinheiro aqui vale mais, você tem um retorno pelo seus impostos pagos, os serviços públicos funcionam e você tem a oportunidade de ser quem você quiser aqui.

Qual foi a maior dificuldade que você passou?
Achar um ponto de equilíbrio emocional para viver aqui e fazer daqui a minha casa. É foda estar longe de tudo e todos que você conheceu a vida toda. Você tem que aprender a viver de novo, se adaptar.

Como você começou no audiovisual?
Meu pai sempre teve afinidade com câmeras desde que eu era criança, então câmera pra mim nunca foi algo estranho. Faço vídeos pro YouTube desde 2011, já fazia alguns freelas como fotógrafo no Brasil quando tinha 15 anos.

Fazer vídeo das minhas experiências sempre foi algo presente na minha vida, e quando vim pra cá não foi diferente. O tempo foi passando e eu fui aperfeiçoando essas técnicas de fazer vídeo contando o que eu tava passando. Nunca fiz curso nem aula. Tudo que sei sobre audiovisual aprendi na internet e com outras pessoas.

Quais são os seus maiores objetivos hoje?
Continuar me aprofundando na cultura americana e com certeza continuar passando minhas experiências para o público que me acompanha. Hoje eu tenho noção de que eu não crio vídeos pra internet mais, eu crio um programa, uma série. Meu objetivo hoje é ser o maior canal da comunidade Brasileira nos Estados Unidos. Ajudar as pessoas a verem o tamanho do mundo fora da vila. Não importa de onde você vem, tudo é possível. Eu acredito que falta pessoas para a molecada se inspirar, e o meu objetivo é passar uma mensagem de vida real, positiva e responsável com a linguagem da rua.

Quais foram as suas maiores conquista na vida em um todo até hoje?
Ser totalmente independente dos meus pais desde que eu cheguei aqui, consegui montar o meu próprio business com tão pouco tempo em um país desconhecido. E claro, ter conseguido uma comunidade de 100 mil pessoas que se interessam na minha arte. É um orgulho sem tamanho.

Como você enxerga o atual momento do Brasil estando nos EUA?
Depois que você sente como é morar em um país de primeiro mundo, olhar pra situação que o Brasil se encontra hoje é triste. O Brasil deixa os ricos mais ricos e os pobres mais pobres. Eu enxergo milhares de pessoas com potencial desperdiçado. A falta de investimento em educação e falta de incentivo acaba com a sociedade.

Conta para galera como fazer para conseguir chegar em outro país?
Pesquisem!! A internet hoje é livre pra todo mundo, qualquer um pode ir morar em outro país sem ter descendência. Tudo é possível com planejamento.

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