Empreendedorismo

Como evitar que o primeiro emprego limite sua carreira desde o início

24.05.2026 | Por: Gudyê KondZilla

TRANSMISSÃO: Band | ESPN

Trocar a beca pela carteira de trabalho é um marco, mas o primeiro emprego após a faculdade deve ser o começo de uma trajetória — não o auge dela. Profissionais experientes alertam para decisões iniciais que podem comprometer o desenvolvimento a longo prazo.

O artigo usa como exemplo o ex-jogador Tyreke Evans, que, aos olhos de muitos, teve estatísticas de estreia comparáveis às de Michael Jordan e LeBron James, mas viu a carreira desmoronar por lesões, um locaute e uma suspensão de dois anos por uso de drogas. A história ilustra que um início promissor não garante continuidade e que recém-formados precisam planejar para imprevistos.

Na semana anterior, o autor reuniu cinco orientações práticas para quem começa a trabalhar; nesta sequência, o foco são alertas mais amplos para evitar erros que prejudiquem futuras oportunidades.

Não priorize apenas marcas famosas

Ter o nome de uma empresa conhecida no currículo pode impressionar colegas, mas não substitui aprendizado prático. Sadé Muhammad, ex-diretora de marketing da Time Inc. e atual líder da agência Zeven, recomenda ser “agnóstico em relação à empresa” e priorizar a aquisição de competências, seja no trabalho formal, em outra companhia ou até no voluntariado.

O autor relata ter aceitado, ao se formar, dois empregos simultâneos: um em um jornal pequeno de Connecticut e outro na sede da ESPN. No jornal menor, houve oportunidade para escrever, editar, fotografar e aprender diagramação; na ESPN, o cargo envolvia compilar estatísticas nos bastidores da cobertura do futebol universitário, sem perspectiva de assinar matérias ou aparecer no ar. Depois de receber essa informação, o autor pediu demissão no segundo dia.

Estar aberto a empresas de menor porte não implica necessariamente optar por uma startup — culturas e chances de aprendizado variam muito e participações societárias podem não gerar retorno financeiro.

Confie no seu instinto

Paul Wolfe, consultor de recursos humanos e ex-chefe de RH da Indeed e da Match Group, recomenda atenção a sinais de desconforto durante entrevistas ou nos primeiros dias de trabalho, pois problemas tendem a se agravar. Embora seja possível sair depois de alguns meses, entradas muito curtas no currículo podem suscitar desconfiança em processos seletivos futuros e aumentar a probabilidade de cair em outra posição inadequada.

A alternativa — permanecer em um emprego prejudicial até o esgotamento — também é arriscada. Wolfe sugere avaliar a necessidade de recusar uma oferta ou negociar mudanças internas cedo para evitar que pequenos problemas se tornem maiores.

Imagem: Imagem Divulgação

Evite gestores que apenas bajulam

Diane Hessan, empresária e investidora com passagens pelo conselho do Eastern Bank e consultoria na Panera Bread, indica buscar chefes que forneçam feedbacks consistentes. Líderes que desafiam em vez de apenas elogiar tendem a impulsionar o desenvolvimento profissional e, quando a confiança é conquistada, tornam-se defensores importantes.

Hessan observa que muitos gestores tratam a geração Z com excessiva delicadeza; por isso, pode ser necessário pedir críticas construtivas ou procurar outra equipe internamente. Isso não significa aceitar tratamento abusivo, mas sim evitar ficar estagnado com um gestor medíocre.

Preserve a postura profissional

Histórias de profissionais que começaram em empregos desagradáveis e evoluíram são comuns. Kim Kross descreve trabalho inicial cobrando mensalidades em um call center da rede Bally Total Fitness e afirma ter mantido uma atitude positiva, o que chamou a atenção de um gestor regional e acelerou sua promoção até chegar a diretora de relatórios e análise — hoje ela é diretora de operações na heyC AI.

Wolfe lembra que, no começo da carreira, as referências têm peso desproporcional e recrutadores costumam checar contatos além daqueles indicados formalmente. Relações ruins em posições iniciais podem bloquear oportunidades anos depois, por isso manter profissionalismo e não queimar pontes é essencial.

Esses conselhos visam ajudar recém-formados a tomar decisões estratégicas cedo, privilegiando aprendizado, feedbacks francos e ambientes saudáveis para evitar prejuízos à trajetória profissional.

Com informações de Investnews

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