CEO de jatos privados afirma que escassez de combustível é mito usado para cortar voos deficitários
Quem: Greg Raiff, CEO da Elevate Jet, empresa de serviços para jatos privados.
O que: Raiff afirma que não existe escassez real de combustível de aviação e classifica como um “mito” as narrativas sobre falta de querosene que têm sido divulgadas para justificar cancelamentos de voos.
Quando e onde: Em entrevista à revista Fortune, no contexto de cortes de voos ocorridos recentemente e de projeções para junho na Europa.
Como e por quê: Segundo o executivo, relatos sobre falta de combustível têm motivações políticas e servem para pressionar pelo fim do conflito com o Irã, ao mesmo tempo em que criam preocupação pública sobre viagens nas férias de verão. Raiff diz não ter observado redução na oferta: a demanda por aviação privada, segundo ele, não diminuiu com a alta dos preços nem com o início da guerra, tendo até apresentado ligeiro crescimento. A aviação, na avaliação do CEO, cresceu no acumulado do ano em termos de demanda total, horas voadas e número de chegadas e partidas globalmente.
Raiff aponta aumento de cobrança em aeroportos e terminais privados como problema observado. Ele afirma que, no mercado aberto, o combustível de aviação está acima de US$ 4 por galão (3,78 litros), mas que proprietários de jatos privados chegaram a pagar US$ 10,42 por galão em uma instalação em Washington, D.C. Parte desse valor, segundo ele, inclui cerca de US$ 1 em impostos e taxas e um adicional de aproximadamente US$ 5 por serviços na pista, elevando o preço final por galão.
O CEO também ressaltou que passageiros de aviação privada tendem a ser menos sensíveis a variações de preço, o que, em sua avaliação, pode levar aeroportos a manterem tarifas elevadas mesmo após o fim do conflito.
Imagem: Imagem Divulgação
Sobre os cortes nas companhias aéreas comerciais, Raiff afirma que muitas empresas estariam aproveitando a situação para se eximir de operar rotas deficitárias, alegando força maior para preservar slots sem cumprir a frequência anterior. Ele advertiu que o aperto maior pode ocorrer no outono do Hemisfério Norte (setembro a dezembro) caso os Estados Unidos permaneçam em conflito com o Irã, já que refinarias podem redirecionar produção entre óleo para aquecimento residencial e combustível de aviação, gerando competição entre aquecimento e transporte aéreo.
Raiff declarou ainda, com base em sua experiência de 35 anos no setor, que não vê risco iminente de falta de combustível de aviação.
Com informações de Infomoney