Empreendedorismo

Berkshire Hathaway volta a apostar em companhias aéreas com nova posição na Delta

20.05.2026 | Por: Gudyê KondZilla

Berkshire Hathaway, controlada por Warren Buffett, reapareceu no setor aéreo ao registrar uma posição de US$ 2,6 bilhões na Delta Air Lines no primeiro trimestre, segundo documentos regulatórios divulgados recentemente.

O investimento marca um novo interesse da gestora, agora sob o comando de Greg Abel, que assumiu como CEO em janeiro e supervisiona o grande portfólio de ações da empresa. Buffett afirmou ao Wall Street Journal que não participou diretamente da compra da posição na Delta, mas confirmou ter sugerido outras ideias de investimento a Abel.

A movimentação reacende o histórico oscilante de Buffett com companhias aéreas. Em 1989, a Berkshire adquiriu US$ 358 milhões em ações preferenciais da USAir, posição que se deteriorou com o tempo; o bloco foi vendido com lucro em 1998, mas a empresa acabou falindo duas vezes depois. Em carta aos acionistas de 2007, Buffett afirmou ter aprendido a lição e classificou o setor como “o pior tipo de negócio”, destacando a dificuldade de manter vantagens competitivas duradouras.

Mesmo assim, a Berkshire retornou ao segmento em 2016, comprando participações significativas na United Airlines, American Airlines, Delta e Southwest Airlines, apostando que a consolidação reduziria as guerras de tarifas. A empresa vendeu essas posições em 2020, no auge da pandemia de Covid-19, registrando perdas ao sair antes da recuperação das ações do setor.

Desde o fim de abril de 2020, as ações da Delta e da United subiram mais de 170%, a Southwest avançou 23% e a American teve alta de 2,9%, segundo dados da Dow Jones Market Data.

O setor enfrenta agora novo desafio: a guerra no Irã elevou fortemente os preços do petróleo, e o custo do combustível de aviação — segunda maior despesa das companhias aéreas — dobrou em poucas semanas. A Spirit Airlines chegou a encerrar operações no início do mês, após o aumento dos combustíveis inviabilizar sua saída de uma segunda recuperação judicial. Em contrapartida, analistas apontam que a Delta está em posição relativamente mais sólida por sua estratégia de atender clientes de alta renda e oferecer serviço mais consistente.

O CEO da Delta, Ed Bastian, recebeu positivamente a notícia sobre o investimento da Berkshire e declarou esperar que a empresa voltasse a investir no setor após a pandemia.

Imagem: Imagem Divulgação

A Berkshire também mantém presença na aviação privada: em 1998 adquiriu a operadora de jatos NetJets por cerca de US$ 725 milhões. Abel, em sua primeira carta aos acionistas em fevereiro, descreveu a NetJets como “um ativo valioso em um setor muito difícil”.

Entre os episódios notáveis do passado, em 2002 Buffett afirmou ao Telegraph sentir uma atração difícil de resistir pelo setor aéreo, comparando-se a um “aeromaníaco” que precisa resistir à tentação de comprar ações — comentário que ilustra a relação ambivalente do investidor com companhias aéreas.

Não está claro se a participação na Delta permanece inalterada, já que o registro divulgado corresponde ao primeiro trimestre. A Berkshire não comentou o movimento.

Com informações de Investnews

PUBLICIDADE Flowers

Veja também

PUBLICIDADE Flowers