Empreendedorismo

Coreia do Norte registra forte recuperação econômica impulsionada por armas, apoio externo e reabertura controlada

09.06.2026 | Por: Gudyê KondZilla

A Coreia do Norte vem apresentando sinais de crescimento econômico notáveis após um período de isolamento, segundo relatos de visitantes e estimativas de agências sul-coreanas. A recuperação é atribuída a vendas de armamentos, envio de tropas e ajuda externa, além de uma reabertura seletiva que trouxe mudanças visíveis em Pyongyang.

Turistas e operadores internacionais descrevem a capital norte-coreana com serviços inéditos para padrões do país: aplicativos de transporte que permitem chamar táxis e acompanhar corridas em tempo real, pagamentos por QR code em restaurantes, presença de veículos elétricos chineses, pet shops, cafés de jogos e concessionárias que oferecem marcas importadas. Em um episódio relatado por um operador turístico australiano, um jantar em um dos melhores restaurantes da cidade — localizado sobre uma ponte entre edifícios e com piso de vidro — teria custado cerca de US$ 150 para cinco pessoas.

O governo de Kim Jong Un promoveu intensa atividade de construção. No ano passado, foram erguidas 10 mil novas moradias em Pyongyang, número superior ao registrado em cidades como Los Angeles ou Chicago. Durante o congresso do Partido dos Trabalhadores, realizado em fevereiro, a liderança celebrou a recuperação econômica enquanto exibia equipamentos militares recém-produzidos.

Fontes de receita e apoio externo

Analistas apontam que a economia norte-coreana recebeu impulso significativo por meio de exportações de munições e do envio de contingentes militares à Rússia na guerra da Ucrânia — mais de 15 mil soldados teriam sido deslocados, com elevado número de baixas —, além de receitas bilionárias oriundas da venda de armamentos. O comércio com a China atingiu níveis recordes dos últimos oito anos, facilitando a chegada de energia, componentes eletrônicos e bens de consumo.

Relatórios de centros de pesquisa sul-coreanos indicam sinais de atividade econômica em imagens de satélite: crescimento do tráfego em terminais de petróleo, estacionamentos mais cheios e aumento do brilho noturno, que teria triplicado em cinco anos.

Impactos internos e limites da recuperação

Apesar dos avanços em áreas urbanas e entre a elite, a maioria do país segue em situação precária. Organizações das Nações Unidas estimam que quase metade dos 26 milhões de habitantes enfrenta desnutrição. O Produto Interno Bruto anual da Coreia do Norte permanece inferior a 1% do americano, e o país continua sendo apontado como um dos maiores violadores de direitos humanos.

Imagem: Imagem Divulgação

O banco central da Coreia do Sul estimou crescimento de 3,7% em 2024, a taxa mais alta em oito anos, e especialistas afirmam que a situação econômica atual é a melhor desde a ascensão de Kim ao poder. O líder norte-coreano intensificou projetos domésticos — hospitais, complexos agrícolas, resorts e o plano “20×10”, que prevê a instalação de fábricas em 20 cidades por ano ao longo de uma década — e ampliou investimentos em shoppings e farmácias estatais para reduzir mercados paralelos.

Novas leis de trânsito e o surgimento de serviços digitais também foram relatados: a produção interna de celulares pode chegar a 500 mil unidades anuais, e pagamentos por aplicativos e serviços de entrega se tornaram comuns, substituindo em parte o uso exclusivo de dinheiro vivo.





Autoridades norte-coreanas mantêm controle rigoroso sobre dados oficiais e sobre o que visitantes podem ver, mas eventos recentes — como a visita do presidente chinês Xi Jinping ao país, a assinatura de acordos com líderes estrangeiros e a realização em maio da primeira grande feira internacional desde a pandemia, com mais de 290 empresas estrangeiras — reforçam a percepção de uma economia em transformação, ainda que desigual.

Com informações de Investnews

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