Empreendedorismo

Fundos de crédito privado sofrem resgates de R$ 19 bilhões em maio, mas ritmo diminui

08.06.2026 | Por: Gudyê KondZilla

Fundos de crédito privado no Brasil registraram R$ 19 bilhões em resgates em maio, segundo dados da Anbima, e mostram sinais de desaceleração nos pedidos de saída após um mês anterior de saídas ainda maiores.

De um total de oito categorias que aplicam em títulos de empresas, sete apresentaram saídas líquidas em maio. Os R$ 19 bilhões somam-se aos R$ 22 bilhões retirados em abril, totalizando mais de R$ 41 bilhões em dois meses de saídas nas carteiras que investem em CRI, CRA, debêntures e outros papéis corporativos.

Motivos das retiradas

As aplicações têm sido impactadas por uma série de pedidos de recuperação extrajudicial e judicial e por reestruturações de dívida. A onda de pedidos começou em outubro de 2025, com recuperações judiciais de Ambipar e Unigel, e se estendeu em 2026 com empresas como Raízen, GPA (Grupo Pão de Açúcar), Grupo Toky (dono da Mobly e da Tok&Stok), Oncoclínicas, Kora Saúde, Braskem e outras.

Crises em empresas como Raízen e Braskem provocaram perdas relevantes a investidores cujas posições estavam distribuídas em plataformas como XP e BTG Pactual.

Categorias e rentabilidade

Entre as classificações da Anbima, a categoria “Duração Livre” registrou resgates líquidos de R$ 6 bilhões em maio, enquanto a “Duração Livre Grau de Investimento”, mais conservadora, teve saídas de R$ 5,7 bilhões. Juntas, as duas categorias totalizaram R$ 11,7 bilhões em retiradas no mês, queda de cerca de 50% frente aos R$ 23,5 bilhões de abril.

Segundo o diretor da Anbima, Pedro Rudge, “os fundos de crédito privado agora passam por uma acomodação dos fluxos”, indicando arrefecimento das retiradas.

A rentabilidade também começou a se recuperar após a reprecificação das cotas decorrente dos saques. A categoria Duração Livre Crédito Livre registrou retorno de 0,91% em maio, ante 0,49% em abril, ainda abaixo do CDI de 1,073% no mês.

Imagem: Imagem Divulgação

Contexto macro e posição dos gestores

O relatório cita ainda efeitos macroeconômicos que pressionam preços e taxas de papéis prefixados e indexados à inflação, como a prolongada guerra no Irã, que elevou preços de energia e commodities e levou a uma reprecificação desde o fim de fevereiro. Esse movimento vem acompanhado por expectativa de que o ciclo de cortes da taxa Selic seja interrompido mais cedo, com uma visão de mercado que aponta a Selic próxima de 14% ao ano no fim de 2026. O Focus do Banco Central indica mediana de 13,50% ao ano para a Selic no fim de 2026, ante a taxa vigente de 14,50% ao ano, embora algumas instituições considerem a possibilidade de manutenção acima desse patamar.

Na carta mensal da gestora Sparta, o CEO Ulisses Nehmi afirmou que níveis elevados de caixa nos fundos de crédito têm reduzido a necessidade de venda de ativos, ajudando a sustentar o mercado e a conter pressão sobre os spreads de crédito.

O relatório lembra que a volatilidade deve permanecer nos próximos meses, com oscilações relevantes nos preços e taxas, e que o efeito do “carrego” favorável continua, dado o patamar elevado das taxas de retorno.

Com informações de Investnews

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