Empreendedorismo

Inflação persiste e eleva projeções; mercado adia expectativa de alívio monetário

08.06.2026 | Por: Gudyê KondZilla

O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (8) mostra que a desaceleração da inflação no Brasil deverá ser mais lenta do que projetado anteriormente, levando economistas e investidores a reverem estimativas e a postergarem apostas em cortes de juros.

Na 13ª semana seguida de revisões para cima, a mediana das expectativas para o IPCA de 2026 subiu de 5,09% para 5,11%, permanecendo acima do teto do sistema de metas. Para 2027, a projeção avançou de 4,02% para 4,03%. Já nas janelas mais longas houve leve acomodação: 2028 recuou marginalmente para 3,65% e 2029 manteve-se em 3,50%.

Entre os motivos apontados para a piora das previsões estão fatores internos, como a ampliação de estímulos fiscais e a proximidade do ciclo eleitoral, que exerçam pressão adicional sobre a inflação. Do ponto de vista climático, os efeitos do El Niño seguem no radar por seu potencial impacto na produção agrícola e nos preços dos alimentos.

No plano externo, o aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio — envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã — elevou cotações internacionais do petróleo, o que reacende preocupações sobre combustíveis, custos logísticos e transmissão de pressão de preços para economias emergentes, entre elas o Brasil.

Em reação ao cenário, o mercado ajustou para cima as projeções da taxa Selic: para 2026 a mediana passou de 13,25% para 13,50% e, para 2027, de 11,25% para 11,50%. As estimativas para 2028 e 2029 permaneceram em 10%.

Na prática, essas revisões refletem uma redução nas expectativas de um ciclo rápido de afrouxamento monetário, já que cortes relevantes de juros ficam menos prováveis enquanto as expectativas inflacionárias seguirem afastadas da meta.

Quanto ao Produto Interno Bruto, a estimativa para 2026 foi ajustada de 1,90% para 1,91%. As projeções para 2027, 2028 e 2029 permaneceram praticamente estáveis, situadas entre 1,7% e 2% ao ano — um ritmo de crescimento moderado, sem sinais de ganhos expressivos de produtividade.

Imagem: Imagem Divulgação

No mercado cambial, as previsões para o dólar recuaram ligeiramente em quase todos os horizontes: para 2026, a estimativa caiu de R$ 5,16 para R$ 5,15, e para 2027 passou de R$ 5,25 para R$ 5,20. A estabilidade relativa do câmbio tem ajudado a conter parte das pressões inflacionárias importadas, embora não compense totalmente os choques externos.

O conjunto do boletim indica uma economia com dificuldades para trazer a inflação de volta ao centro da meta rapidamente, o que mantém a política monetária como principal instrumento de contenção, mesmo que isso limite a intensidade de uma recuperação econômica mais robusta.

Com informações de Forbes

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