Empreendedorismo

Itajaí assume liderança nas exportações de barcos de lazer no Brasil em 2026

08.06.2026 | Por: Gudyê KondZilla

Itajaí, em Santa Catarina, tornou-se a cidade brasileira que mais exportou embarcações de lazer e esporte nos primeiros quatro meses de 2026, segundo dados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. No período, o município registrou US$ 4,301 milhões em vendas externas, à frente de Palhoça, que somou US$ 3,532 milhões.

No total, o Brasil exportou US$ 12,686 milhões em embarcações de lazer entre janeiro e abril de 2026. Após Itajaí e Palhoça aparecem Jaboatão dos Guararapes, com US$ 1,645 milhão; Guarujá, com US$ 1,506 milhão; e Curitiba, com US$ 1,020 milhão.

A virada de posições entre Itajaí e Palhoça é mais evidente quando comparada ao desempenho de 2025. No acumulado de janeiro a dezembro daquele ano, Palhoça liderou com US$ 18,939 milhões, enquanto Itajaí registrou US$ 18,399 milhões. No recorte dos quatro primeiros meses de 2025, Palhoça somava US$ 7,426 milhões, ante US$ 2,598 milhões de Itajaí.

A presença de Itajaí na cadeia náutica nacional ganha relevância às vésperas do Marina Itajaí Boat Show, marcado para os dias 2 a 5 de julho, evento que reúne embarcações, motores, equipamentos, acessórios, serviços e público interessado no setor. “Itajaí reúne indústria, infraestrutura, serviços e cultura voltada para as águas”, afirma Thalita Vicentini, diretora da Boat Show Eventos.

O peso da economia do mar em Santa Catarina

Levantamento da Secretaria de Estado do Planejamento de Santa Catarina indica que atividades ligadas ao uso produtivo do mar empregam cerca de 250 mil pessoas, o que corresponde a 8,5% da força de trabalho formal do estado. Entre março de 2025 e fevereiro de 2026, o setor gerou quase 6 mil vagas com carteira assinada, representando 13% do saldo total de empregos formais criados no período.

O levantamento inclui pesca, aquicultura, fabricação de barcos e navios, transporte marítimo, turismo, logística, serviços e indústria de apoio. Itajaí figura entre os municípios com maior contingente de trabalhadores formais ligados a essa economia, ao lado de Florianópolis e Joinville.

Perfil das exportações e mercado interno

As exportações brasileiras concentram-se em embarcações menores e rápidas, na faixa dos 30 pés, com forte demanda nos Estados Unidos. Em Itajaí, o estaleiro Fibrafort tem como modelo mais exportado a Focker 300 GTX, com motorização outboard; a empresa vendeu 20 unidades desse modelo em 2026 e projeta exportar entre 100 e 120 barcos no ano, com os Estados Unidos como principal destino.

Imagem: Imagem Divulgação

Em Recife, a NX Boats tem como carro-chefe de exportação a NX 340 Sport Coupé, de 34 pés. A empresa mantém sede em Fort Lauderdale e planeja destinar entre 30% e 40% da produção ao mercado externo; até maio de 2026 exportou cerca de 20 embarcações desse modelo.

Enquanto o exterior absorve embarcações menores e velozes, o mercado interno mostra aumento da procura por iates maiores e mais sofisticados. Exemplo disso é a Azimut, cuja CEO global, Giovanna Vitelli, confirmou à Forbes Brasil investimento de R$ 120 milhões na unidade de Itajaí, com expansão industrial, transferência de tecnologia e preparação da fábrica para construir um megaiate de 30 metros avaliado em cerca de R$ 90 milhões.

A planta brasileira da Azimut, única fora da Itália, deve ampliar em 27 mil m² até 2028, alcançando 65 mil m², e elevar o valor de produção local em cerca de R$ 300 milhões, rumo a R$ 1 bilhão.

A distinção entre os perfis de exportação e do mercado doméstico ilustra como o setor náutico brasileiro atende demandas diferentes: barcos menores seguem para o exterior, enquanto no mercado interno cresce a demanda por embarcações de maior porte e valor agregado.

Com informações de Forbes

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