Empreendedorismo

Taxas do Tesouro Direto disparam e Tesouro IPCA+ 2032 supera 8% ao ano

05.06.2026 | Por: Gudyê KondZilla

As taxas do Tesouro Direto registraram forte alta nesta sexta-feira (5), emendando o feriado de Corpus Christi, e chegaram ao maior nível do ano. A plataforma chegou a suspender as negociações por conta de oscilações incomuns e retomou as operações por volta de 11h20 (Brasília UTC-3).

O título Tesouro IPCA+ com vencimento em 2032, o mais curto entre os indexados à inflação disponíveis na plataforma, ultrapassou a marca psicológica de 8% ao ano e, por volta de 11h20, era negociado a IPCA+ 8,17% ao ano. Trata-se do rendimento mais elevado registrado para esse papel desde sua oferta em fevereiro deste ano.

Outro título indexado, o Tesouro IPCA+ 2050, passou para 7,19% ao ano, ante 7,09% verificados na terça-feira (2). Esse nível é o mais alto para o papel desde outubro de 2025. Em termos de preço, quando o retorno contratual era de IPCA+ 7,09% o título 2050 valia R$ 908,52; com a elevação para cerca de 7,19%, o preço recuou para R$ 889,56 nesta sexta.

Prefixados registram patamares elevados

Entre os papéis prefixados, os vencimentos em 2029 passaram a oferecer retorno de 14,52% ao ano, nível mais elevado desde fevereiro de 2022. O Tesouro Prefixado com vencimento em 2032 alcançou 14,58% ao ano, patamar máximo desde abril.

Guerra, dados dos EUA e risco de tarifas pressionam juros

O avanço das taxas no mercado doméstico ocorre em meio a revisões de bancos e gestoras sobre a trajetória de cortes da taxa Selic, com consenso se formando para uma taxa básica mais próxima de 14% no fim de 2026, diante de sinais de aceleração inflacionária no Brasil e no exterior.

Nos EUA, o relatório de emprego (payroll) trouxe criação de 172 mil vagas em maio, bem acima das expectativas — cerca de 80 mil — e provocou venda de títulos americanos. Os rendimentos do Treasury de dois anos subiram cerca de 10 pontos-base, para 4,15%, enquanto o título de 10 anos avançou para 4,534%. Contratos passaram a precificar majoritariamente um aumento de 0,25 ponto percentual nos juros pelo Federal Reserve até o fim do ano.

Imagem: Imagem Divulgação

Investidores também reagem ao retrocesso nas negociações entre EUA e Irã, que tende a pressionar perspectivas de inflação via preços do petróleo, e a ameaças de novas tarifas americanas ao Brasil.

O que fazer em cenário de volatilidade

Especialistas de mercado apontam que investidores com horizonte de médio a longo prazo — pelo menos um ano — podem aproveitar a janela para “travar” juros em níveis historicamente altos. Ao mesmo tempo, alertam para a volatilidade esperada nos preços e taxas de títulos prefixados e IPCA+ nos próximos meses.

Para quem já possui títulos do Tesouro IPCA+ ou Prefixado, a recomendação é evitar decisões por pânico: a marcação a mercado reduzirá o saldo em reais quando as taxas contratadas forem menores que as atuais, mas manter o título até o vencimento garante o retorno originalmente contratado.

Com informações de Investnews

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