Empreendedorismo

FIFA investe em ciência para padronizar os gramados da Copa do Mundo de 2026

05.06.2026 | Por: Gudyê KondZilla

TRANSMISSÃO: Band | Record

A FIFA reuniu universidades, produtores e empresas para desenvolver um sistema de gramados que garanta condições de jogo uniformes nos 16 estádios da Copa do Mundo de 2026. O projeto, liderado por John Sorochan, da Universidade do Tennessee, e John “Trey” Rogers III, da Universidade Estadual de Michigan, envolveu mais de US$ 5 milhões em investimentos — aproximadamente R$ 27 milhões — e buscou resolver as diferenças geradas por climas, altitudes e usos variados das arenas.

O que motivou a iniciativa

A edição de 2026 será a maior da história da FIFA: 48 seleções, 104 partidas e 16 sedes distribuídas entre Estados Unidos, Canadá e México. A ampliação do torneio expôs um problema prático: muitos estádios não foram projetados para o futebol. Onze das 16 praças são utilizadas por franquias da NFL, algumas operam com gramado sintético e outras recebem shows e eventos durante quase todo o ano, reduzindo janelas para adaptação.

Como foi feito

As universidades dividiram os locais por grupos climáticos e definiram combinações específicas de espécies vegetais: gramados bermuda para áreas mais quentes e misturas de Kentucky bluegrass com azevém perene para estádios cobertos ou de clima frio. A técnica central foi a chamada sod-on-plastic, que cultiva a grama sobre uma camada plástica coberta por areia fina, promovendo um tapete com raízes laterais que pode ser enrolado e transportado sem a necessidade de cortar a raiz.

O método recebeu aprimoramentos: manejo diário de corte, incorporação de fibras sintéticas para reforço e monitoramento contínuo do crescimento desde o plantio até a instalação. As equipes estimam a produção de cerca de 142 quilômetros de tapetes de grama natural para a competição, grande parte transportada em caminhões refrigerados para os estádios.

Estádios como laboratórios

Além do cultivo, pesquisadores transformaram instalações e centros de pesquisa em ambientes controlados para simular luz, temperatura e outras variáveis. Em locais com pouca luz direta — como Atlanta, Houston e Los Angeles — foram utilizados sistemas de iluminação artificial com combinações de intensidade e espectro para manter o crescimento. As medições abrangeram rolamento da bola, absorção de impacto, tração, umidade, compactação e recuperação pós-uso, com foco na segurança dos atletas, conforme especialistas envolvidos no projeto.

Imagem: Unv.Tennnesse/DivulgEstádios receberam grama natural para a Copa

Inovações e logística

Uma solução testada foi o uso das estruturas plásticas Permavoid como piso intermediário entre o concreto e o gramado. O componente permitiu reduzir drasticamente a quantidade de areia necessária, deixando o sistema 70% a 80% mais leve, e acelerou montagem e desmontagem: cerca de 17 horas para montar um campo completo e aproximadamente sete horas para removê-lo. Essas características são relevantes para arenas multiuso.

Impacto no setor

O programa também mobilizou o segmento agrícola especializado em produção de tapetes de alto desempenho. Nos EUA, o número de produtores de sod-on-plastic é pequeno (menos de 20), mas já triplicou desde 2021. A tecnologia começou a se espalhar além da América do Norte, alcançando o Brasil — que sediará a próxima Copa do Mundo Feminina — e atraindo interesse em outros países.

Para as universidades participantes, o projeto deixou infraestrutura ampliada, novas metodologias e um acervo de dados que, segundo os pesquisadores, representa um legado científico e prático que vai além do torneio.

Com informações de Forbes

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