Morre Marjane Satrapi, autora de Persépolis, aos 56 anos
Marjane Satrapi, escritora, ilustradora e cineasta franco-iraniana, morreu na quinta-feira, 4 de junho de 2026, aos 56 anos, informou a família à agência AFP. O presidente francês, Emmanuel Macron, divulgou um comunicado do Palácio do Eliseu prestando homenagem à autora.
Satrapi alcançou reconhecimento internacional com a série de quadrinhos Persépolis, autobiografia gráfica que narra sua infância e adolescência durante a Revolução Islâmica no Irã. A obra, marcada por desenhos em preto e branco e traços simples, mescla memórias pessoais e eventos políticos; vendeu milhões de cópias e foi traduzida para dezenas de idiomas.
Em declaração à AFP, a família afirmou que Satrapi teria falecido “de tristeza”, pouco mais de um ano após a morte do marido, o produtor e diretor Mattias Ripa, ocorrida em abril de 2025. Não foi divulgada nenhuma causa médica.
Nascida em 1969 na cidade de Rasht, no Irã, Satrapi cresceu em Teerã e foi enviada pelos pais à Áustria aos 14 anos para estudar, em meio ao endurecimento do regime iraniano. Mais tarde, estabeleceu-se na França, onde construiu a carreira que a tornou uma das principais vozes dos quadrinhos contemporâneos.
O impacto de Persépolis extrapolou as páginas: em 2007, Satrapi dirigiu, ao lado de Vincent Paronnaud, a adaptação cinematográfica da obra. O filme recebeu o Prêmio do Júri no Festival de Cannes e ainda foi indicado ao Oscar de melhor animação.
Imagem: Getty Images
Além de Persépolis, a autora publicou títulos como Bordados e Frango com Ameixas, e dirigiu filmes como The Voices. Satrapi foi apontada como a primeira quadrinista iraniana a obter projeção internacional, contribuindo para levar ao público ocidental relatos íntimos sobre a vida no Irã e convertendo suas experiências pessoais em narrativa acessível a leitores de diferentes países.
A família não divulgou detalhes sobre o funeral ou cerimônias públicas. As homenagens oficiais e manifestações de pesar pelo falecimento foram registradas nas redes e em comunicados de instituições culturais e políticas.
Com informações de Forbes