WEG é a companhia brasileira mais exposta às propostas de tarifas dos EUA sobre produtos do Brasil
Uma proposta dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos vindos do Brasil concentra riscos de forma desigual entre grandes indústrias brasileiras, com a WEG apontada como a empresa mais vulnerável, segundo levantamento divulgado. A medida, em avaliação pelo governo americano, pode agravar custos e pressionar margens especialmente no curto prazo.
A WEG destina cerca de 25% de sua produção brasileira para o mercado dos EUA. Dentro desse fluxo, o segmento de motores industriais é o mais sensível: esses equipamentos já enfrentam tarifas de até 10% previstas na Seção 122 da legislação comercial norte-americana. Caso os EUA apliquem medidas da Seção 301, alíquotas adicionais poderiam elevar o ônus sobre esses produtos, embora o impacto final dependa das definições que devem ser anunciadas em julho.
O banco Citi, que acompanha a companhia, classifica o efeito como moderadamente negativo em horizonte de curto prazo. Uma das respostas possíveis da WEG seria acelerar produção nas fábricas que já mantém nos Estados Unidos, mas essa estratégia exige tempo para ser implementada. Enquanto isso, competitividade e margens podem sofrer pressão imediata.
A investigação do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) ainda não resultou em medidas efetivas. O prazo para eventual implementação das tarifas está marcado para 15 de julho, com audiência pública prevista para 6 de julho.
Setores e itens excluídos
O anúncio do USTR, publicado na segunda-feira, também trouxe isenções para determinados produtos. Entre os itens dispensados da proposta estão café, carne bovina, certas frutas e peças de aeronaves. Com isso, o setor de aviação não seria afetado pela Seção 301, o que favorece empresas como a Embraer, que mantém demanda firme nos segmentos comercial, executivo e de defesa.
Práticas apontadas pelo USTR
Além dos bens industriais, o relatório do USTR lista práticas brasileiras consideradas distorcivas, citando políticas de comércio digital, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais relacionadas ao desmatamento. O sistema de pagamentos PIX também é mencionado: o documento afirma que o PIX teria prejudicado empresas americanas do setor ao favorecer uma solução doméstica.
Imagem: Divulgação / WEG
O governo brasileiro rejeita as acusações. Dario Durigan, secretário-executivo do Ministério da Fazenda, afirmou que a investigação tem motivação política e não técnica. O anúncio do USTR veio cerca de um mês depois do encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca.
No ano passado, Washington chegou a impor tarifas de 50% sobre algumas importações brasileiras, medidas que posteriormente foram parcialmente revertidas. Com o enfraquecimento do instrumento das chamadas tarifas recíprocas após decisão da Suprema Corte dos EUA em fevereiro, o governo americano tem recorrido com maior frequência à Seção 301 para pressionar parceiros comerciais.
Com informações de Investnews