Empreendedorismo

Criptomoedas podem compor carteira de aposentadoria, apontam especialistas

01.06.2026 | Por: Gudyê KondZilla

Um número crescente de investidores considera criptomoedas ao planejar a aposentadoria. Na última edição da pesquisa Raio X do Investidor, da Anbima, 12% dos entrevistados indicaram aplicar em moedas digitais com esse objetivo — percentual que supera alternativas tradicionais como ações, títulos públicos, imóveis, moedas estrangeiras e previdência privada.

Especialistas ouvidos afirmam que ativos digitais podem integrar uma estratégia de longo prazo, mas em caráter complementar. Segundo analistas do mercado, a recomendação é evitar concentrações elevadas e não direcionar toda a poupança previdenciária para criptoativos.

Quanto alocar

Profissionais consultados sugerem alocações modestas: entre 1% e 5% da carteira seria suficiente para investidores moderados e sofisticados. A justificativa é que as criptomoedas apresentam potencial de retorno ligado a tecnologias em fase inicial, exposição a vetores estruturais e padrões de retorno distintos dos ativos tradicionais, conforme explicou Henry Oyama, head de estratégias de investimentos da gestora Hashdex.

O analista CNPI-T Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, também vê as criptos como componente complementar, destacando seu papel na diversificação e no aproveitamento de tendências de digitalização financeira.

Desempenho na última década

Uma simulação realizada por Renato Breia, sócio-fundador da Nord Investimentos, avaliou o efeito do bitcoin em carteiras entre janeiro de 2016 e janeiro de 2026. A carteira sem exposição ao bitcoin registrou aumento acumulado de 212% no período. Com 1% em BTC, o retorno projetado sobe para 235%; com 2% para 259%; e com 3% alcança 284% — a melhor performance entre as alocações simuladas.

No mesmo intervalo, o CDI acumulou cerca de 250% e o IHFA, índice de fundos multimercados, aproximou-se de 242%. Os resultados com exposição ao bitcoin, contudo, mostraram maior volatilidade, com flutuações acentuadas em episódios de correção, como no início da pandemia de 2020. Especialistas lembram que retorno passado não garante retorno futuro; por exemplo, quem entrou no bitcoin há um ano ainda pode registrar perdas próximas de 30%.

Riscos

Entre os principais riscos associados às criptomoedas estão a elevada volatilidade no curto e médio prazos e a incerteza regulatória, já que normas para o setor seguem em desenvolvimento em vários países. Há também risco de narrativa e de ciclo, com mudanças rápidas nos temas que atraem capital, além do risco de concentração quando a carteira depende excessivamente de poucos ativos.

Imagem: Ap

O risco operacional envolve escolhas de corretoras e custodiante e práticas de autocustódia. Na autocustódia, o investidor guarda as chaves privadas em carteiras digitais e assume total responsabilidade: perda das chaves pode resultar na perda permanente dos ativos.

Formas de acesso e escolhas de ativos

É possível obter exposição a criptomoedas por meio de exchanges e bancos digitais, que intermediam compras e oferecem custódia, ou por fundos de investimento e ETFs, que permitem exposição sem compra direta dos ativos. Esses veículos oferecem praticidade e possibilidade de recuperação de acesso em caso de perda de senha, mas implicam depender da segurança e da saúde financeira da instituição.





Ao escolher ativos, especialistas tendem a priorizar criptomoedas mais consolidadas, como o bitcoin, que tem maior liquidez e adoção. Marcos Praça alerta que altcoins podem trazer retornos superiores, mas com risco significativamente maior, incluindo a possibilidade de perda total do capital — motivo pelo qual, para objetivo de aposentadoria, muitos preferem resiliência em vez de especulação.

A discussão sobre inserir criptomoedas na carteira de aposentadoria segue entre riscos e oportunidades, exigindo alocação cuidadosa e compreensão das modalidades de custódia.

Com informações de Investnews

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