Brasil inaugura participação na Biennale Arte 2026 em Veneza com pavilhão restaurado
Andrea Pinheiro, presidente da Fundação Bienal de São Paulo, retornou recentemente de Veneza para a abertura da Biennale Arte 2026, onde atuou como comissária da representação brasileira. A mostra nacional, intitulada “Comigo ninguém pode” e curada por Diane Lima, reúne obras históricas e trabalhos inéditos de Rosana Paulino e Adriana Varejão, criados especificamente para a ocasião. A apresentação do Pavilhão do Brasil ocorre após um processo de recuperação de três anos, conduzido pela Fundação Bienal em parceria com os ministérios da Cultura e das Relações Exteriores.
A Bienal de Veneza, com mais de um século de história, mantém a tradição de exibições nacionais: além da mostra principal, montada por uma curadoria convidada, mais de cem países realizam apresentações próprias. A edição de 2026 foi marcada por dois fatos relevantes: a morte, no ano passado, da curadora Koyo Kouoh, cujo projeto foi finalizado por sua equipe em homenagem; e controvérsias sobre a participação de determinadas nações, que culminaram na renúncia coletiva do júri poucos dias antes da pré-abertura.
Apesar do clima de luto e das tensões políticas percebidas nos Giardini e nos corredores do Arsenale, a concentração de expressões artísticas no centro histórico veneziano — cuja área é de 7,6 km2 — revelou grande vitalidade. Nos Giardini, além do Pavilhão do Brasil, destacaram-se as mostras da França, Espanha e Alemanha. Entre os artistas citados estiveram a franco-marroquina Yto Barrada (participante da 29ª e 35ª Bienais de São Paulo), o espanhol Oriol Vilanova e a dupla formada pela vietnamita Sung Tieu (presente na 34ª Bienal de São Paulo) e a alemã Henrike Naumann, cuja participação foi póstuma, segundo a organização.
No Arsenale, o Pavilhão da Índia, com curadoria de Amin Jaffer, exibiu trabalhos de cinco artistas em torno do tema do “lar”. O Pavilhão do Vaticano, curado por Hans Ulrich Obrist e Ben Vickers, ocupou espaços como o Giardino Mistico dei Carmelitani Scalzi e o Complesso di Santa Maria Ausiliatrice. As mostras da Áustria e do Japão também geraram repercussão por propostas consideradas polêmicas e ousadas.
Além da Biennale, instituições locais ampliaram a programação paralela. A recém-inaugurada Fondazione Dries Van Noten destacou trabalhos ligados ao ofício manual; a Fondazione Prada promoveu um diálogo entre Arthur Jafa e Richard Prince, conforme a curadora Nancy Spector. Da Pinault Collection, a Punta della Dogana trouxe individuais do brasileiro Paulo Nazareth e da americana Lorna Simpson, enquanto o Palazzo Grassi apresentou mostras de Michael Armitage e do artista multidisciplinar Amar Kanwar.
Imagem: Simone Padovani/Getty Images
Ao regressar ao Brasil, Andrea Pinheiro declarou sentir orgulho e emoção pela inauguração do Pavilhão do Brasil e afirmou estar energizada para a realização da próxima Bienal de São Paulo, prevista para setembro de 2027. A presidente da Fundação Bienal de São Paulo ressaltou a meta de abrir o Pavilhão Ciccillo Matarazzo não apenas para a comunidade artística nacional e internacional, mas também para o público amplo que vê na exposição espaço de lazer e de ampliação de horizontes.
Andrea Pinheiro é presidente da Fundação Bienal de São Paulo, conselheira do MASP e patrona da Pinacoteca. No âmbito corporativo, é membro do Conselho de Administração e do Comitê de Auditoria da Vivo, e conselheira e membro dos Comitês de RH e de Tecnologia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Com informações de Forbes