27/05/2016 — Reinvestir em vez de gastar: a melhor receita para gerar muito mais renda com dividendos
À medida que se aproxima o fim do mês, muitos investidores voltam a atenção para a janela de pagamentos de proventos das empresas. Dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) são itens centrais para quem busca renda passiva, e a estratégia de reinvesti-los nas próprias ações é apontada como essencial para ampliar a geração de renda ao longo do tempo.
O reinvestimento de dividendos e JCP funciona como uma forma de juros compostos aplicada à bolsa: em vez de sacar os proventos, o investidor usa esses recursos para comprar mais ações, aumentando a base de capital geradora de renda. Esse processo reduz a variabilidade dos rendimentos e torna a construção de patrimônio mais sistemática, embora não elimine os riscos inerentes a uma carteira de ações.
Devagar e sempre
O método usado por investidores focados em renda consiste em selecionar empresas com fundamentos sólidos — normalmente bancos, seguradoras e companhias de utilidade pública — manter as posições por longos períodos e reaplicar integralmente os proventos. Um exemplo conhecido é o do megainvestidor Luiz Barsi Filho, cuja carteira concentra ações pagadoras regulares e hoje gera, em média estimada, cerca de R$ 1 milhão por dia em dividendos e JCP.
O efeito financeiro é parecido com o da renda fixa quando se deixam os juros “fermentando”: os dividendos futuros passam a incidir não apenas sobre o investimento inicial, mas também sobre as parcelas compradas com proventos anteriores, ampliando a renda ao longo dos anos. Em um exemplo comparativo, uma taxa fixa anual de 13% transformaria um aporte inicial de R$ 1 mil em R$ 3,4 mil após 10 anos; com o efeito de juros sobre juros, o crescimento acelera exponencialmente.
Use a renda ativa para construir a renda passiva
Além de reinvestir proventos, a estratégia recomenda aportes periódicos provenientes da renda ativa — salários, bônus e outras entradas. Mantendo aportes regulares de R$ 1 mil por mês, por exemplo, o saldo acumulado pode atingir R$ 237 mil em 10 anos e ultrapassar R$ 1 milhão em 20 anos. Em simulação que combina reinvestimento e um dividend yield médio de 8% ao ano, o patrimônio gerador de renda praticamente dobra em cerca de nove anos, desconsiderando oscilações de preço.
Como funciona na prática
Uma referência prática é o Índice de Dividendos da B3 (IDIV), que acompanha uma carteira de pagadoras de proventos e considera tanto a cotação dos papéis quanto o reinvestimento dos proventos. No período de 27 de maio de 2016 a 27 de maio de 2026, o IDIV registrou retorno superior a 411%, equivalente a um ganho anualizado próximo de 18%.
Na mesma linha, um investidor que aplicou R$ 1 mil por mês na carteira do IDIV teria acumulado R$ 310 mil no fim desse intervalo. Mantendo os aportes e assumindo repetição da variação do índice na próxima década, o montante poderia chegar a quase R$ 2 milhões.
Imagem: Imagem Divulgação
Dois ETFs que seguem o IDIV ilustram o impacto do reinvestimento: o Nu Renda Ibov Smart Dividendos (NDIV11), que distribui proventos mensalmente, teve rendimento de 28,48% no período entre outubro de 2023 e abril de 2026, com dividend yield de 22,66% referente aos proventos. Já o Nu Ibov Smart Dividendos (NSDV11), que reinveste os proventos, apresentou rendimento acumulado de 57,78% no mesmo intervalo.
Crescimento das empresas também conta
O efeito da reaplicação tende a ser potencializado quando as empresas aumentam lucros e distribuições ao longo do tempo. Por isso, investidores orientados à renda costumam preferir companhias maduras de setores como bancos, energia, saneamento e seguradoras, conhecidos por gerar caixa consistente e pagar proventos regularmente.
Especialistas ressaltam a importância de priorizar a quantidade de ações e a qualidade das empresas em vez de focar apenas no dividend yield. Em masterclass promovida pelo InvestNews em parceria com o Nubank, Louise Barsi, cofundadora do AGF, afirmou que “falamos muito para a pessoa focar na quantidade de ações, porque isso tira um pouco a preocupação com essa oscilação diária” e destacou que o dividend yield “vem por último” na seleção, sendo fundamental avaliar fundamentos, governança e respeito ao acionista.
O reinvestimento de dividendos não elimina a volatilidade de curto prazo, mas, ao aumentar a quantidade de ativos produtores de renda, amplia o potencial de geração de proventos no longo prazo.
Com informações de Investnews