Empreendedorismo

Influenciadores promovem “alimentação bíblica” que prioriza alimentos citados na Bíblia

28.05.2026 | Por: Gudyê KondZilla

Seguidoras e seguidores adotam dietas baseadas em alimentos mencionados na Bíblia

TRANSMISSÃO: Band

Kayla Bundy, criadora de conteúdo cristã de 27 anos, segue há oito anos o que chama de “alimentação bíblica” e compartilha sua rotina alimentar no TikTok, onde tem mais de 500 mil seguidores. Ela relata que a mudança na dieta melhorou a pele, o cabelo e a depressão. Bundy consome itens como caldo de osso pela manhã, leite cru, sardinha e pão de fermentação natural, e afirma cozinhar com ingredientes de produtores locais.

A influenciadora, que mora em Bali e cresceu em Michigan, reconhece não ter formação em nutrição, mas comercializa um guia digital de “superalimentos bíblicos” por US$ 28 e oferece pacotes de coaching a partir de cerca de US$ 700 por mês.

O fenômeno de “comer à moda bíblica” aparece como parte de um movimento mais amplo que questiona alimentos ultraprocessados e busca produtos menos industrializados. O texto cita a pressão do movimento “Make America Healthy Again” (MAHA) por maior acesso a laticínios não pasteurizados e restrições a aditivos artificiais, além de apontar que o novo comissário interino da FDA, que assumiu o cargo na terça-feira, é um defensor de políticas para reduzir substâncias químicas na cadeia alimentar.

Outra voz do movimento é Annalies Xaviera, dona de casa de Gainesville, na Geórgia, que viu seu público no Facebook crescer de poucos milhares para mais de 300 mil nesta primavera. Xaviera, 32 anos, vende um livro digital de receitas e define sua prática como “comer comida de verdade e cozinhar em casa”, mantendo alguns produtos industrializados como macarrão. Ela afirma não se considerar parte do MAHA, mas reconhece afinidades com algumas bandeiras do grupo.

Práticas relacionadas existem há anos, como o “jejum de Daniel”, períodos de 21 dias inspirados no Livro de Daniel em que a alimentação é restrita a vegetais e água. Livros como The Eden Diet (2008) e The Maker’s Diet (2004) já abordaram dietas baseadas em ensinamentos bíblicos; o último tornou-se best-seller.

Imagem: Ap

Especialistas citados situam o fenômeno entre práticas de bem-estar e religião. Jennifer R. Ayres, professora de educação religiosa na Universidade Emory, observa que o movimento online enfatiza a decisão individual e tende a deixar de lado uma visão coletiva e ambiental sobre o sistema alimentar. Abbie Stasior, nutricionista cristã em Nashville, afirma que suas orientações misturam recomendações nutricionais convencionais com referências bíblicas para fortalecer a motivação dos clientes.

Do ponto de vista nutricional, Marion Nestle, pesquisadora de políticas alimentares nos EUA, afirma que quem consome calorias suficientes e uma variedade de alimentos pouco processados provavelmente está bem, mas alerta que a cultura do bem-estar frequentemente se baseia mais em experiência pessoal do que em evidência científica.

O interesse por dietas que usam a Bíblia como referência combina tradição religiosa, busca por alimentos simples e um mercado de produtos e serviços vendidos por influenciadores e autores.

Com informações de Infomoney

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