Conheça primeiro elétrico da ferrari decepciona e derruba ações da montadora em até 8%
Revelação do primeiro elétrico da Ferrari provoca reação negativa e faz ações caírem até 8%
Apresentado em Roma, o Luce — quatro portas e €550 mil — gerou comparações a modelos populares; papel recuava 6,4% às 13h37 (Brasília UTC-3)
As ações da Ferrari tiveram um tombo após a estreia do Luce, seu primeiro carro totalmente elétrico. A reação ao design foi majoritariamente crítica e acelerou a queda do papel nas negociações europeias.
O modelo, anunciado como um coupé de quatro portas e cinco lugares com preço estimado em €550 mil (cerca de US$640 mil), surpreendeu pelo visual mais contido. Analistas e influenciadores chegaram a comparar a estética do Luce a elétricos de massa — um contraste com a linguagem tradicionalmente agressiva da marca.
A apresentação em Roma marcou a etapa final de um lançamento em três atos. Após a exibição, o papel da Ferrari chegou a cair 7,8% nos primeiros minutos e, às 13h37 (Brasília UTC-3), recuava 6,4% — a maior baixa diária desde outubro. A cotação reflete também preocupações mais amplas sobre a demanda por elétricos de luxo.
O que está em jogo para a marca
Por trás do ruído das redes, há decisões estratégicas importantes. O Luce foi desenvolvido com a colaboração do estúdio LoveFrom, liderado por Jony Ive e Marc Newson, e registra mudança clara no vocabulário visual da Ferrari: superfícies mais lisas, menos agressividade, forte uso de vidro que a própria marca descreve como uma “casa de vidro”.
Mesmo com o design controverso, o carro é uma máquina de alta performance. A Ferrari anuncia potência equivalente a mais de 1.000 cv, aceleração de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos e velocidade máxima acima de 310 km/h — números que superam até o SUV V12 da casa, o Purosangue.
Tecnologia e usabilidade também mudaram. São quatro motores elétricos (um por roda) e um pacote de baterias desenvolvido em Maranello, que permitiu pela primeira vez acomodar cinco ocupantes e oferecer porta-malas de 600 litros — espaço suficiente para duas bolsas de golfe.
O som, ponto sensível para puristas, recebeu atenção intensa: cinco anos de desenvolvimento e 40 mil quilômetros de testes em pista para criar uma assinatura sonora que não imite literalmente um motor a combustão, mas preserve a experiência emocional associada à marca.
Imagem: Imagem Divulgação
No plano corporativo, a estreia testa se o modelo de exclusividade da Ferrari — produção limitada, preços altos e forte apelo emocional — funciona também sem o ronco tradicional do motor. O CEO Benedetto Vigna deixou claro que a intenção não é aumentar volumes às custas da aura da marca.
Analistas têm visões divergentes. Enquanto críticas imediatas abalaram o mercado, casas como a Bernstein lembram que existe uma base de clientes e colecionadores capaz de sustentar o projeto. Ainda assim, investidores seguem cautelosos: em 12 meses, as ações acumulam queda de cerca de 31% diante de dúvidas sobre a demanda global por luxo automotivo.
O anúncio acontece em um momento de incerteza para elétricos premium: rivais como Lamborghini adiaram seus lançamentos elétricos e até players de nicho relatam procura limitada por hipercarros movidos a bateria.
A Ferrari escolheu a Vela di Calatrava, em Tor Vergata, para revelar o Luce a mais de 200 jornalistas e centenas de clientes convidados — dois jantares de gala reuniram cerca de 800 pessoas em cada noite. Os pedidos começaram a ser aceitos logo após o evento.
No final, o Luce não é apenas mais um modelo: é um experimento sobre como uma marca construída no som, na agressividade visual e na exclusividade sobrevive à transição elétrica. A resposta do mercado e dos clientes nas próximas semanas tende a definir o próximo capítulo da Ferrari — e influenciar, de quebra, o preço da ação.