Empreendedorismo

Trump age como “CEO dos EUA” e fecha acordos informais com grandes empresas

19.05.2026 | Por: Gudyê KondZilla

Transmissão: Band | Record

O presidente dos Estados Unidos tem adotado um estilo de negociação direto e pessoal, comparado ao de um CEO, conforme relatos de encontros no Salão Oval e em viagens internacionais. Em preparativos para uma cúpula na China, Donald Trump convidou executivos de grandes corporações — entre eles Jensen Huang, cofundador da Nvidia; Jane Fraser, do Citigroup; e o CEO da Boeing, Kelly Ortberg — para integrar um grupo de líderes empresariais que o acompanhariam a Pequim. Huang acabou embarcando no Air Force One, dividindo o avião com Elon Musk e outros executivos, após ter sido incluído tardiamente no grupo.

Em conversas que cobriram temas como tarifas, centros de dados de IA e a guerra no Irã, o presidente descreveu seu método de negociação: acordos rápidos, informais e celebrados como vitórias claras. Trump disse que faz “todos os dias um desses acordos que nenhuma pessoa normal faria”, ressaltando sua capacidade de ligar diretamente a líderes empresariais ou mundiais para obter resultados concretos.

Tarifas, participações acionárias e objetivo fiscal

Com o auxílio de membros do gabinete com experiência em Wall Street, como o secretário de Comércio Howard Lutnick e o secretário do Tesouro Scott Bessent, a administração tem aplicado tarifas e adquirido participações acionárias em empresas em dificuldades como ferramentas econômicas. Trump vê nas tarifas uma fonte de receita capaz de reduzir a necessidade de cortes em benefícios ou aumento de impostos. Ele estimava inicialmente US$ 600 bilhões por ano em arrecadação com tarifas, número que reconhece ser contestado; a decisão da Suprema Corte que considerou parte das tarifas inconstitucionais obrigou a devolver cerca de US$ 149 bilhões arrecadados, segundo o presidente.

Outra frente é a compra de fatias acionárias, exemplificada pela negociação com a Intel: segundo Trump, o governo fez acordo por uma participação de 9,9% avaliada em cerca de US$ 10 bilhões no verão passado, com subsídios federais convertidos em participação em agosto. O presidente afirmou que, em oito meses, essa participação passou a valer mais de US$ 50 bilhões e questionou se recebeu crédito público pela operação.

Diplomacia comercial e apoio a setores

Trump tem pressionado aliados a fechar compras de equipamentos americanos, destacando-se no caso da Boeing. O presidente relatou ter sido apelidado de “Vendedor do Ano” pelo CEO da fabricante, Kelly Ortberg, e anunciou em Pequim, três dias após um encontro com executivos, um acordo de compra de 200 aeronaves pela China. O setor aeroespacial norte-americano manteve um superávit comercial de cerca de US$ 100 bilhões em 2024, segundo o relato.

Imagem: Imagem Divulgação

Projetos domésticos e analogias imobiliárias

Em outras frentes, Trump tem tratado problemas públicos com soluções práticas inspiradas em sua experiência no mercado imobiliário. Citou, por exemplo, um projeto de restauração do espelho d’água do Memorial Lincoln que, segundo ele, custaria US$ 350 milhões e levaria quatro anos em contrato tradicional. Em vez disso, propôs usar técnica e empreiteiro semelhantes aos de seus resorts para resolver o vazamento mantendo a base de granito.

Limites e desafios macroeconômicos

Alguns temas fogem ao alcance de negociações pessoais, reconheceu Trump ao falar sobre inflação e guerra. No dia do encontro, o Senado aprovou voto processual para a confirmação de Kevin Warsh como presidente do Federal Reserve, e o índice de preços ao consumidor subiu a 3,8% ante 3,3% no mês anterior. O presidente ressaltou que juros mais baixos — defendidos por Warsh — ajudariam a reduzir o custo com juros da dívida, hoje estimado por ele em cerca de US$ 3 bilhões por dia sobre uma dívida de US$ 38 trilhões.

Ao ser questionado sobre a continuidade dessa política de negociações pessoais após seu eventual afastamento, Trump afirmou: “Não sei. Quer dizer, isso não vai acontecer de novo.”

Com informações de Infomoney

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