Polônia treina civis em técnicas de sobrevivência por temor de ataque russo
CIESZYN, Polônia — Autoridades polonesas iniciaram um programa de capacitação para civis voltado a preparar a população para a possibilidade de um ataque militar russo. O curso, oferecido no sábado pela manhã na sede do 133º Batalhão de Infantaria Leve da 13ª Brigada Territorial de Defesa da Silésia, reúne famílias, trabalhadores e idosos para aulas práticas de sobrevivência e resposta a emergências.
O treinamento integra o programa nacional chamado wGotowosci, ou “Prontidão”, anunciado em novembro pelo ministro da Defesa, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, que classificou a iniciativa como “o maior treinamento de defesa da história da Polônia”. O governo espera que 400 mil cidadãos concluam os cursos até o fim deste ano, em um país de cerca de 38 milhões de habitantes.
Com a guerra na Ucrânia entrando no quinto ano, a Polônia cita a crescente ameaça de ações russas — incluindo campanhas de desinformação, sabotagens e ataques cibernéticos — como razão para ampliar a preparação civil. Em paralelo, o governo aumentou os gastos militares para 5% do Produto Interno Bruto, intensificou compras de equipamentos como tanques, aviões e drones, e ampliou as Forças Armadas profissionais para 215 mil integrantes, tornando-se a terceira maior da OTAN, atrás apenas dos Estados Unidos e da Turquia.
O curso de um dia inclui módulos sobre cibersegurança, preparo para crises e primeiros socorros. Instrutores demonstraram formas de improvisar itens úteis em emergência, como usar fiapos de secadora para iniciar fogo, um saco de lixo como proteção contra chuva e um balde com tampa como sanitário temporário. Também foram indicados itens para uma mochila de evacuação — isqueiro, lanterna, fita adesiva, corda, medicamentos, faca, rádio, baterias recarregáveis, cobertor e alimentos — e procedimentos práticos, como deixar mensagens permanentes em paredes e escrever contatos na pele de crianças pequenas.
Autoridades militares reconhecem lacunas na defesa civil. “Nossa defesa civil era praticamente inexistente”, afirmou o tenente Tomasz Dzierga, porta-voz do batalhão. O tenente-coronel Dariusz Pawlik, que conduz parte das atividades, disse que espera que os treinamentos sejam úteis, ainda desejando que nunca precisem ser aplicados.
Imagem: Imagem Divulgação
Participantes relatam motivações variadas: alguns buscam preparação pessoal, outros pensam em carreira militar. Entre os inscritos estavam a jovem Natalia Szoltysek, que considera se alistar, e casais e colegas que planejam montar mochilas de emergência familiares. A chegada a domicílio de um guia de 48 páginas sobre preparação enviado pelo governo também contribuiu para tornar mais concreta a percepção de risco entre a população.
A iniciativa polonesa ocorre num contexto regional em que países como Finlândia, Suécia, Noruega, Estônia e Lituânia também promovem treinamentos civis, enquanto governos europeus enfrentam pressões econômicas e aumentos de custo relacionados a conflitos internacionais, incluindo tensões ligadas a ações recentes entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Com informações de Infomoney