Empreendedorismo

Duas categorias de “mentiras necessárias” que pesquisas indicam favorecer relações amorosas

17.05.2026 | Por: Gudyê KondZilla

Pesquisas recentes em psicologia apontam que, em alguns casos, formas específicas de desonestidade podem contribuir para a manutenção da convivência afetiva. Embora a transparência seja considerada base para relacionamentos saudáveis, estudos publicados em 2025 e 2026 mostram que mentiras pró-sociais e mentiras protetoras são usadas por casais para preservar harmonia e proteger a emoção do parceiro.

Honestidade continua sendo considerada essencial para a confiança, mas os estudos destacam que nem toda verdade precisa ser exposta de forma crua. Segundo as pesquisas, pequenas distorções da realidade podem servir para regular o clima emocional entre parceiros, evitando conflitos desnecessários e fortalecendo a sensação de segurança.

1. Mentiras pró-sociais

Em um artigo de 2026 publicado no The Journal of Social Psychology, pesquisadores investigaram como pessoas em relacionamentos reagem quando recebem mentiras pró-sociais do parceiro — isto é, falsidades contadas para promover aceitação e bem-estar. O estudo constatou que muitos indivíduos, sobretudo aqueles que percebem desgaste na relação, preferem respostas reconfortantes em vez de críticas diretas.

Os resultados mostram que, quando a relação está fragilizada, amortecer a verdade pode reduzir dano emocional. Exemplos citados incluem elogios exagerados a uma refeição que não impressionou realmente, declarações de que uma roupa ficou ótima quando a pergunta busca validação, ou entusiasmo por presentes que não seriam a escolha pessoal do receptor. Nesses casos, o objetivo declarado é preservar o afeto e o reconhecimento do esforço do outro.

Os autores alertam, entretanto, que o uso contínuo dessas mentiras pode ser prejudicial se servir para ocultar incompatibilidades ou evitar conversas importantes. Quando as distorções impedem ajustes necessários na relação, deixam de ser benéficas.

2. Mentiras protetoras

Um estudo de 2025 publicado na revista Personal Relationships identificou que muitas mentiras em relacionamentos são apresentadas pelos próprios parceiros como formas de proteção — seja para poupar o outro de sofrimento, seja para preservar a própria privacidade. Essas mentiras, segundo os pesquisadores, visam regular emoções e reduzir atritos cotidianos, e não manipular.

Casais frequentemente optam por não comentar incômodos menores, como mastigar alto, deixar portas abertas ou cantarolar enquanto trabalha, por entenderem que reclamações constantes tornariam a convivência exaustiva. Outra forma descrita é fingir não lembrar de detalhes constrangedores compartilhados em momentos de vulnerabilidade, para evitar expor a pessoa novamente.

Imagem: Getty Images

O estudo também relata exemplos no registro romântico — como dizer “nunca senti isso antes” para transmitir singularidade afetiva, mesmo quando já houve relações intensas no passado. Segundo os autores, essas declarações ajudam a sustentar uma narrativa de exclusividade que contribui para a intimidade do casal.

Pesquisadores ressaltam a diferença entre mentiras protetoras e engano: omissões e pequenas falsidades temporárias destinadas ao cuidado emocional não se equiparam a ocultações graves, como traição ou fraude financeira, que corroem confiança e responsabilidade.

Em suma, as pesquisas indicam que gentileza, tato e moderação podem, em situações específicas, se sobrepor à transparência absoluta, desde que não comprometam consentimento, respeito ou confiança duradoura.

Com informações de Forbes

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