Empreendedorismo

GM fecha parceria para desenvolver baterias de sódio e entra no mercado de armazenamento estacionário de energia

11.06.2026 | Por: Gudyê KondZilla

A General Motors anunciou nesta terça-feira, em evento realizado em São Francisco, uma parceria com a startup Peak Energy Technologies para entrar no mercado de armazenamento estacionário de energia — sistemas de baterias fixas que armazenam eletricidade para devolvê‑la à rede nos momentos de maior demanda.

O acordo prevê o desenvolvimento de baterias de íon‑sódio voltadas ao armazenamento em redes elétricas, além de ações para viabilizar que veículos elétricos já vendidos pela montadora possam fornecer energia de volta à rede quando conectados em residências. A GM informou que a iniciativa busca atender ao aumento de demanda provocado por data centers de inteligência artificial e ao maior interesse de investidores no setor.

Segundo a montadora, a unidade de venture capital da GM comprará participação na Peak Energy, uma startup com cerca de três anos de operação. O valor da participação não foi divulgado pela empresa. A Peak projeta receita de US$ 10 milhões neste ano e expectativa de atingir US$ 100 milhões em 2027.

As baterias de íon‑sódio, que as duas companhias desenvolverão em conjunto, são apresentadas como mais adequadas para aplicações estacionárias do que as células de íon‑lítio usadas em muitos veículos elétricos. Esses dispositivos descarregam rapidamente para fornecer picos curtos de potência, usam sódio — um insumo abundante e mais barato — não dependem de cobalto e têm menor risco de incêndio, segundo a GM e a Peak.

A montadora informou que as baterias poderão ser produzidas em uma fábrica já existente da GM ou em uma unidade conjunta. A empresa também citou a possibilidade de reaproveitar uma planta cuja construção em Indiana foi adiada.

Em paralelo, a GM firmou parceria com a Redwood Materials, de JB Straubel, para reciclagem de baterias de veículos elétricos e sua reutilização em sistemas de armazenamento. A montadora e sua parceira sul‑coreana LG Energy Solution também declararam que vão converter parte da produção de uma fábrica no Tennessee para fabricar sistemas de armazenamento estacionário destinados a redes e uso comercial.

O movimento da GM acompanha esforços de outras montadoras de compensar adoção mais lenta de veículos elétricos pelos consumidores americanos. Tanto GM quanto Ford investiram dezenas de bilhões de dólares em elétricos; a GM havia planejado capacidade para produzir até 1 milhão de EVs em 2025, mas vendeu cerca de 170 mil unidades nos EUA no ano passado.

Imagem: Bloomberg LP

“No passado, grandes mudanças tecnológicas eram limitadas por processadores lentos ou velocidades de internet. Hoje, o verdadeiro gargalo é a energia”, disse Sterling Anderson, diretor de produtos da GM.





A Ford registrou recentemente o maior ganho mensal de suas ações em 17 anos, impulsionada por expectativas de que seu negócio de armazenamento de energia se beneficiará do boom da inteligência artificial. A empresa está investindo cerca de US$ 2 bilhões no segmento, incluindo a adaptação de uma fábrica para produzir células de grande escala com tecnologia licenciada da chinesa CATL. A consultoria BloombergNEF projeta que a demanda por baterias de rede nos EUA deve dobrar até 2030, ultrapassando 100 gigawatts‑hora.

A GM também afirma que ampliará o uso da tecnologia vehicle‑to‑grid para permitir que carros elétricos devolvam energia à rede quando estacionados, embora isso dependa de investimentos adicionais em infraestrutura doméstica por parte dos consumidores.

Com informações de Investnews

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