Uso de corticoides sem receita pode elevar risco de glaucoma e levar à cegueira
Autoridades médicas alertam que o uso inadequado de corticoides sem orientação pode desencadear glaucoma e aumentar o risco de perda irreversível da visão. Estima-se que mais de 1 milhão de pessoas vivam com glaucoma no Brasil, segundo dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e da Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG).
A doença, muitas vezes assintomática, é a principal causa de cegueira irreversível no país e cerca de metade dos afetados não sabe que tem a condição. Entre os fatores de risco já conhecidos estão predisposição genética, idade avançada e traumas oculares. Mais recentemente, o uso contínuo e sem prescrição de medicamentos à base de corticoide vem sendo apontado como uma possível causa adicional.
O manifesto publicado em 21 de maio pelo CBO, pela SBG e pela Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) chama atenção para os perigos do hábito de automedicação. Corticoides são indicados para reduzir inflamações em doenças como artrite reumatoide e alergias, e estão disponíveis em formas como pomadas, comprimidos e colírios. Quando aplicados nos olhos sem acompanhamento, especialmente por períodos prolongados, esses fármacos podem prejudicar a drenagem do líquido intraocular, elevar a pressão no globo ocular e, assim, favorecer o desenvolvimento do glaucoma.
Os representantes médicos destacam que colírios com dexametasona e prednisolona oferecem maior risco de provocar glaucoma corticosteroide devido à elevada absorção intraocular. Roberto Murad Vessani, presidente da SBG, classificou o uso indiscriminado dos corticoides como um problema de saúde pública vinculado à automedicação. Em resposta, uma nota foi encaminhada à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ao Ministério da Saúde e ao Congresso Nacional propondo medidas regulatórias semelhantes às aplicadas aos antibióticos, com exigência de receita em duas vias, sendo uma retida pela farmácia para controle.
Como prevenir e identificar o glaucoma?
O Ministério da Saúde recomenda atenção a fatores de risco como idade acima de 40 anos (com risco dobrando a cada década), escavação aumentada do nervo óptico, etnia negra ou amarela, histórico familiar, ametropia, pressão de perfusão ocular reduzida, diabetes tipo 2 e uso recorrente de corticoides. Sintomas que podem indicar a doença incluem perda da visão periférica, dor ocular, visão embaçada, percepção de halos ao redor de luzes e dores de cabeça.
Imagem: Getty ImagesUso indiscriminado de corticóides pode levar à cegueira
Recomenda-se exames oftalmológicos completos pelo menos uma vez ao ano para a população de risco e avaliações semestrais para quem já foi diagnosticado. O diagnóstico envolve anamnese, teste de acuidade visual, exame pupilar e aferição da pressão intraocular, entre outros procedimentos. Embora não haja cura, o glaucoma é tratável e controlável por meio de medicação para reduzir a pressão intraocular e, quando necessário, por cirurgias que melhorem a drenagem do humor aquoso.
Com informações de Forbes