Diversidade

Um papo sobre ser youtuber com o Spartakus

21.03.2019 | Por: Guilherme Lucio da Rocha

Nesta quinta-feira, 21 de março, é o Dia Internacional contra a Discriminação Racial. Aproveitando a data, trocamos uma ideia com um dos principais youtubers sobre o tema no Brasil: Spartakus Santiago. Com 100 mil inscritos e mais de 3 milhões de visualizações em seu canal, ele trata de temas do cotidiano e histórias que envolvem racismo, diversidade, militância, etc. Confira o nosso papo aqui, no Portal KondZilla.

Provavelmente você deve ter trombado com o Spartakus aí pela internet. Os vídeos dele variam sobre o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa e análises de videoclipes, como o “APES**T”, parceria entre o casal Beyoncé e Jay-Z, lançado em 2018.

Nascido no interior da Bahia, Spartakus se mudou para o Rio de Janeiro para cursar a faculdade de publicidade e propaganda e, a partir daí, surgiu seu canal no YouTube. Negro, gay e nordestino, Spartakus tem um discurso forte, ao mesmo tempo que é didático e consegue tratar de temas espinhosos com uma voz fácil de entender. Confira o papo que batemos com o youtuber:

Portal KondZilla: Me conta um pouco mais sobre você
Nasci em Itabuna, uma cidade do interior da Bahia. Quando eu tava no terceiro ano do Ensino Médio, fui fazer um trabalho de matemática e meu grupo decidiu fazer uma paródia do vídeo de “Telephone”, da Lady Gaga. Nosso vídeo viralizou na internet e foi isso que me deu um estalo que eu tinha uma certa criatividade. Foi então que decidi fazer Publicidade e Propaganda e acabei passando na UFF (Universidade Federal Fluminense).

KDZ: Como foi sair da Bahia e ir para o Rio?
Cara, é bem transformador. Eu acho muito diferente a cultura do Rio pra Bahia. Por um lado é muito complicado essa mudança, mudar todo o círculo de amigos, sair de uma cidade pequena pra uma cidade como o Rio de Janeiro. Porém, lá em Itabuna as pessoas têm a cabeça muito fechada, aqui eu tive a chance de “sair do armário”, de me relacionar com outros homens e entender o meu papel no mundo.

KDZ: Quando você se descobriu como comunicador?
Eu trabalhava com publicidade e meu papel era fazer as pessoas entenderem o que o cliente queria passar. Sendo assim, aprendi a ser didático. Uma vez, queria fazer um textão sobre apropriação cultural, mas ninguém leu. Porém, decidi pegar tudo que aprendi com publicidade e fazer um video usando essas técnicas. Deu certo e o vídeo viralizou. Percebi que muitas pessoas passaram a entender e vi aí uma plataforma pras pessoas entenderem certos assuntos.

KDZ: Qual a importância de um dia como hoje, de luta contra a discriminação racial?
Eu acho que a importância é extrema, principalmente no momento que estamos vivendo. Muita gente não entende as opressões. Minha tia e minha avó achavam os cabelos delas horríveis, que tiveram azar de nascer com o nariz de batata e tal. Isso é racismo. Descobrir isso é libertador, perceber que ela não deu azar de nascer assim, e é libertador espalhar essa mensagem. O grupo que mais se suicida no Brasil são os jovens negros e isso não é coincidência.

KDZ: Você pensa em conteúdos especiais para datas como essa?
Minha rotina não muda, não faço nada especial. Eu luto todos os dias, esse é só mais um dia, eu não deixo de debater. Se é um assunto mais leve, ligo a camera e gravo, quando é um vídeo mais aprofundado, eu leio livros, blogs e tô sempre lendo pra tentar aprender mais, mas também não me cobro em saber tudo.

KDZ: Como é a responsabilidade de ser um youtuber que informa as pessoas e, de certa forma, tem que ser didático?
É uma responsa muito grande, já que as pessoas não leem. A internet tem muito conhecimento e informação, e nessa era de fake news as pessoas não questionam muitas coisas. As pessoas tomam como lei aquilo que você fala, então eu leio muito, me informo muito pra não falar bobagem. Mas também entendo que não sou Angela Davis ou a Djamila Ribeiro. Sou youtuber, tenho que ser leve, tenho que saber levar pra esse lado também. Eu tô na internet e tô vendo o que as pessoas estão falando e tento atrelar ao debate. Durante um tempo o que tava no debate era o “Vai Malandra“, daí usei esse gatilho pra falar da desvalorização do funk, que acham que música boa é só música clássica. Meu canal não é só pra falar de coisas recentes. É pra falar de cura também, não adianta falar só de problema, tenho que falar de melhora da sua saúde mental, as pessoas têm que se cuidar também.

KDZ: Ser youtuber ocupa muito tempo da sua rotina?
Ocupa bastante, não é fácil. Não é um conto de fadas ser um youtuber que fala de temas espinhosos e comprar uma briga. Já passei por várias coisas, um deputado chegou a criar uma fake news contra mim. Acho que faz parte da minha militância. Não dá pra ficar neutro, e daí é foda ver ódio gratuito, é um processo diário. Você não é a pessoa mais incrível, nem a mais horrível.

KDZ: Qual mensagem você deixa pro dia de hoje?
Primeiro tente entender seu lugar no mundo. Seja você homem, mulher, LGBT, entender seu lugar no mundo é revolucionário. Mas também busque ser feliz, existe um momento que a gente mergulha nisso, achamos que o mundo é só militância, desconstruir os outros e deixamos de viver. A maior revolução é estarmos vivos.

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