Trump deve levar a pauta da inteligência artificial ao encontro com Xi em Pequim
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pretende centrar as conversas sobre inteligência artificial (IA) durante sua visita a Pequim para um encontro com o líder chinês Xi Jinping programado para esta semana, segundo reportagem da Reuters. Autoridades americanas, porém, consideram pouco provável a formalização de acordos devido à desconfiança mútua entre os países.
A disputa tecnológica entre EUA e China ganhou intensidade depois do lançamento do Mythos, o modelo de IA mais avançado da Anthropic, evento que elevou as apostas em ambos os lados. Observadores chegam a comparar o atual cenário de competição em IA a uma corrida armamentista nuclear semelhante à da Guerra Fria.
Assuntos na pauta e riscos esperados
A presença do CEO da Nvidia, Jensen Huang, e do conselheiro de políticas tecnológicas da Casa Branca, Michael Kratsios, na delegação de Trump indica que a negociação sobre vendas de chips, incluindo o modelo H200, pode integrar as conversas bilaterais. A China teme que o bloqueio a modelos de ponta como o Mythos — cujos testes foram impedidos no país — provoque um “hiato geracional” em suas capacidades de defesa e segurança cibernética.
Pequim sugeriu formalmente a criação de um mecanismo de diálogo financeiro liderado pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e pelo vice-ministro das Finanças da China, Liao Min. Ainda assim, as expectativas por avanços concretos são reduzidas, já que as agências indicadas não têm especialização em IA, e o governo norte-americano só recentemente intensificou a ênfase na verificação de segurança de modelos avançados.
O modelo Mythos detectou, segundo relatos, “milhares” de vulnerabilidades graves em sistemas operacionais e softwares, impulsionando bancos e governos a reforçar defesas. Especialistas também alertam para riscos como aceleração no desenvolvimento de bioarmas, choques financeiros sistêmicos e a possibilidade de sistemas autônomos atuarem fora do controle humano.
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Consultora da Concordia AI, Kwan Yee Ng propõe a criação de uma “linha direta sem culpa” para notificar incidentes gerados por IA e avalia que o impasse é essencialmente ideológico: um lado vê a IA como risco de proliferação a ser contido, enquanto o outro enxerga medidas de contenção como ataque a uma tecnologia de uso amplo, dificultando a convergência de posições.
Enquanto Pequim acusa um “bloqueio sistemático do ecossistema” tecnológico ocidental, legisladores americanos pressionam pela aprovação do MATCH Act, que estabelece novos limites ao acesso chinês às cadeias de suprimentos de semicondutores. A escassez de poder computacional e as restrições de exportação já fazem com que vários modelos de IA chineses tenham de racionar o acesso dos usuários.
Com informações de Olhardigital