Sedentarismo a partir dos 30 anos eleva carga biológica de estresse e aumenta risco cardiovascular na meia-idade
A man in the gym doing sit-ups. The fit young male person doing a crunch workout to improve her abs. Pumping the abdominal muscles and strengthening the core of the body
Por Bruno Bucis, da Agência Einstein
25/5/2026
Um estudo finlandês publicado em dezembro na revista Psychoneuroendocrinology aponta que a falta de atividade física a partir dos 30 anos provoca alterações biológicas que se acumulam ao longo das décadas e, a partir dos 50 anos, podem manter o organismo em estado persistente de ativação dos mecanismos de estresse, elevando o desgaste corporal e o risco cardiovascular.
A pesquisa acompanhou 3.300 adultos por 15 anos e classificou como sedentários os participantes que realizavam menos de 150 minutos de exercício moderado a vigoroso por semana, critério adotado pela Organização Mundial da Saúde. A OMS define esse tipo de atividade como aquela que aumenta a respiração a ponto de dificultar a conversação durante a prática.
Os resultados mostraram que a carga alostática — medida do desgaste acumulado do sistema nervoso por ativação crônica do estresse — foi 17% maior entre os indivíduos que não praticavam atividade física ou reduziram a frequência entre os 31 e os 46 anos. Dois indicadores biomarcadores foram usados para avaliar a carga alostática e ambos apontaram para efeitos negativos em quem permaneceu inativo ou diminuiu o exercício na vida adulta.
Mais da metade dos participantes (1.800 pessoas) não alcançou a recomendação de atividade física em nenhum dos momentos avaliados e foi classificada como “inativa estável”; esse grupo apresentou os níveis mais elevados de marcadores biológicos de estresse na meia-idade.
Os autores descrevem uma relação bidirecional entre estresse e função cardiovascular: a ativação crônica dos mecanismos de estresse pode agravar o funcionamento cardíaco e, inversamente, disfunções no sistema circulatório podem elevar marcadores biológicos de estresse, estabelecendo um ciclo que compromete a saúde geral.
Segundo o cardiologista Murilo Meneses, do Hospital Israelita Albert Einstein em Goiânia, a resposta fisiológica ao estresse envolve hormônios como cortisol, adrenalina e noradrenalina, e é benéfica quando ocorre de forma pontual. Meneses alerta, porém, que a repetição dessa ativação leva a alterações na pressão arterial, glicemia, colesterol e processos inflamatórios, aumentando o risco de disfunções vasculares, isquemia, arritmias e eventos cardiovasculares agudos.
Imagem: dusan petkovic
Nunca é tarde para começar
Entre os participantes, 651 pessoas que aumentaram o nível de atividade entre os 31 e 46 anos apresentaram carga de estresse proporcionalmente tão baixa quanto os 418 que já eram ativos antes do início do acompanhamento e mantiveram a prática. Em contraste, os 430 indivíduos que reduziram a atividade física ao longo da vida adulta apresentaram níveis de estresse quase tão elevados quanto os inativos.
Os autores ressaltam a necessidade de estudos longitudinais adicionais que incluam outros indicadores, como medidas de autopercepção do estresse. Ainda assim, a pesquisa reforça a associação estreita entre sedentarismo e marcadores biológicos de estresse e sugere que a retomada ou o aumento da atividade física na vida adulta pode reduzir essa carga.
O trabalho conclui sem forçar recomendações além dos dados observados, indicando que a prática regular de exercícios tem efeito modular sobre respostas hormonais e inflamatórias vinculadas ao estresse e à saúde cardiovascular.
Com informações de Fitnessbrasil