Saúde, Beleza e Bem-Estar

Avanços em tratamentos e estilo de vida marcam ASCO 2026 e redesenham cuidado oncológico

13.06.2026 | Por: Gudyê KondZilla

Pesquisas apresentadas na Reunião Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), realizada de 29 de maio a 2 de junho de 2026 em Chicago (EUA), trouxeram resultados relevantes em várias frentes do tratamento do câncer, incluindo um estudo que mostrou ganho expressivo de sobrevida no câncer de pâncreas metastático, novas indicações para fármacos já conhecidos e evidências sobre o papel de mudanças no estilo de vida no acompanhamento após o tratamento, segundo reportagem de Moura Leite Netto, da Agência Einstein, publicada em 13/6/2026.

Progresso no câncer de pâncreas

O estudo internacional de fase 3 RASolute-302, que avaliou 500 pacientes com adenocarcinoma ductal de pâncreas metastático previamente tratados, mostrou que o inibidor multisseletivo de RAS (ON) daraxonrasib mais que dobrou a mediana de sobrevida em comparação à quimioterapia padrão: de 6,7 para 13,2 meses. A terapia reduziu em 60% o risco de morte, aumentou o tempo até a progressão da doença, elevou a proporção de respostas tumorais significativas e associou-se a menos eventos adversos graves. Pacientes também relataram atraso na piora da dor e da qualidade de vida.

Os resultados ampliam as expectativas para tratamentos direcionados à família de genes RAS (como KRAS, NRAS e HRAS), cujas mutações mantêm sinais de proliferação celular e estão entre as alterações moleculares mais frequentes em diversos tumores — pâncreas, pulmão, colorretal e vias biliares — o que pode tornar a estratégia aplicável além do câncer pancreático.

Novas indicações para medicamentos já conhecidos

No congresso também foram apresentados trabalhos que antecipam para fases iniciais da doença terapias usadas em estágios avançados. O estudo PROTEUS, com 2.109 pacientes com câncer de próstata localizado de alto risco, avaliou apalutamida associada à terapia hormonal antes e depois da cirurgia. A combinação aumentou em mais de dez vezes a taxa de resposta patológica e diminuiu de forma significativa o risco de recidiva e de metástase.

Outro estudo relevante, TALAPRO-3, incluiu pacientes com doença metastática sensível à terapia hormonal e alterações em genes de reparo do DNA (como BRCA1 e BRCA2). A adição do inibidor de PARP talazoparibe à enzalutamida manteve 77% dos pacientes sem progressão após três anos, em comparação com 56% no grupo tratado apenas com enzalutamida.

Terapias-alvo, imunoterapia e ADCs

Pesquisas apresentadas mostraram avanços nas terapias-alvo, imunoterapias e nos anticorpos conjugados a drogas (ADCs), que unem drogas citotóxicas a anticorpos que reconhecem antígenos tumorais, direcionando o agente ao câncer. Estudos indicaram progresso desses agentes em tumores de ovário, bexiga, próstata, mama e pulmão, com esforços em otimizar eficácia e reduzir efeitos colaterais.

Especialistas destacaram a transformação ocorrida no tratamento do câncer de pulmão para pacientes com alterações genômicas acionáveis, com ganhos em tempo até progressão, sobrevida global e qualidade de vida. Ainda assim, alertaram que o custo permanece barreira para ampliar o acesso a essas terapias em muitos países.

Imagem: Alessandro Peralta

Impacto do estilo de vida no desfecho oncológico

Além de avanços farmacológicos, estudos sobre intervenções no estilo de vida chamaram atenção. O ensaio de fase 3 CHALLENGE, apresentado no congresso em edições anteriores e discutido na ASCO 2026, mostrou que um programa estruturado de exercícios em pacientes com câncer de cólon submetidos a cirurgia e quimioterapia associou-se a redução de 28% no risco de recidiva ou novo tumor e a 37% menos risco de morte. A sobrevida livre de doença em cinco anos foi de 80% no grupo de intervenção, contra 74% no que recebeu orientações gerais; a sobrevida global alcançou 90% frente a 83% no grupo controle.

Um estudo conduzido em sete centros oncológicos na Itália avaliou 492 mulheres com câncer de mama em estágios iniciais submetidas a um programa baseado na Dieta Mediterrânea de baixo índice glicêmico, caminhada rápida diária e suplementação de vitamina D. A análise primária não encontrou diferença estatisticamente significativa entre os grupos, mas entre pacientes com tumores hormônio-positivos que aderiram de forma mais rigorosa ao programa houve redução de 76% no risco de recorrência. O protocolo também resultou em perda de peso, queda do IMC e menor prevalência de síndrome metabólica.

Os achados sobre hábitos de vida reforçam a incorporação de recomendações mais consistentes no seguimento pós-tratamento, fornecendo evidências que sustentam orientações sobre alimentação, exercício e controle de peso como partes complementares do cuidado oncológico.

Com informações de Fitnessbrasil

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