Tecnologia

Revolução da inteligência artificial avança, mas em ritmo mais lento que o esperado

08.06.2026 | Por: Gudyê KondZilla

IA já presente em empresas, mas sem impacto econômico contundente

Pouco mais de três anos após o lançamento do ChatGPT, a inteligência artificial já é utilizada rotineiramente em grandes empresas, mas a transformação ampla e imediata prevista por entusiastas ainda não se concretizou. Segundo reportagem do The Wall Street Journal, mesmo com investimentos bilionários e ferramentas cada vez mais populares, barreiras humanas, técnicas e organizacionais limitam uma adoção mais profunda no mercado.

Funcionários apontam usos cotidianos da IA para resumir reuniões, redigir e-mails, montar apresentações e acelerar tarefas repetitivas. No entanto, esses ganhos ainda não se traduziram em mudanças claras e generalizadas na produtividade econômica, segundo a reportagem.

Investimentos e resultados iniciais

Pesquisas citadas indicam que executivos planejam elevar investimentos em IA. Um estudo da Wharton, com 801 executivos entrevistados, mostrou que três quartos relataram retorno positivo com o uso de ferramentas de inteligência artificial. Aplicações específicas já apresentam avanços: varejistas fazem ajustes de preços em tempo real; fábricas usam visão computacional para detectar defeitos; instituições financeiras empregam IA na análise de pesquisas e investimentos; e ferramentas de programação geram códigos a partir de comandos simples.

“Dizer que estamos presos no modo piloto é uma ideia ultrapassada e errada”, afirmou Ethan Mollick, professor da Wharton que pesquisa a adoção de IA nas empresas.

Limitações técnicas e resistências humanas

Especialistas destacam uma “fronteira irregular”: sistemas que funcionam bem em tarefas estruturadas — como programação, revisão de documentos jurídicos e análises financeiras — e que falham em atividades que exigem contexto humano, interpretação social e decisões subjetivas. Essas limitações tornam difícil integrar a IA em certas rotinas corporativas.

Além das restrições técnicas, há resistência interna: muitos trabalhadores receiam treinar sistemas que, no futuro, poderiam substituir empregos. Para parte do mercado, as habilidades humanas — de CEOs a operários — ainda superam as capacidades atuais da IA. “Seja você um CEO, um gerente, um jornalista, um professor ou um operário da construção civil, vejo suas habilidades como algo que vai além do que a IA pode realizar”, disse Daron Acemoglu, economista do MIT e vencedor do Prêmio Nobel.

Imagem: Ap

Transformação pode levar anos

Analistas comparam o momento atual da IA a revoluções tecnológicas passadas: a eletricidade e a internet levaram décadas para gerar impactos amplos e duradouros na produtividade. Segundo James Landay, codiretor do Instituto Stanford de Inteligência Artificial Centrada no Ser Humano, em declaração ao The Wall Street Journal, a adaptação das empresas exigirá mudanças profundas em processos, cultura e organização interna.

A expectativa é de que a IA continue remodelando setores nos próximos anos, mas a transformação completa deve ocorrer de forma gradual, não instantânea, diante das limitações e resistências identificadas.

Com informações de Olhardigital

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