Empreendedorismo

Quem ganhou e quem perdeu na cúpula entre Trump e Xi em Pequim

15.05.2026 | Por: Gudyê KondZilla

Donald Trump encerrou uma viagem de dois dias a Pequim com um encontro cortês com o presidente chinês Xi Jinping, mas saiu com poucos avanços concretos em questões complexas como a guerra no Irã e desafios políticos domésticos, segundo relatos. A agenda teve momentos de pompa e demonstração de estabilidade, mas resultados práticos foram limitados.

Contexto e cerimônia

Durante a cúpula em Pequim, os dois mandatários trocaram elogios. Xi recebeu Trump com honras militares, crianças acenando e um presente simbólico de sementes de rosa. A troca de cumprimentos e a imagem de tranquilidade foram apontadas como o principal saldo imediato da visita.

Vencedores

Xi Jinping: O presidente chinês saiu em vantagem simbólica ao promover um encontro sem atritos e ao obter de Trump elogios públicos. Declarações de Xi sobre o estabelecimento de uma “relação construtiva, estratégica e estável” com os EUA e a cobertura mediática favoreceu a narrativa de estabilidade em Pequim.

Jensen Huang (Nvidia): Apesar de inicialmente não constar entre os executivos convidados pela Casa Branca, Huang juntou-se à comitiva após embarcar em uma parada no Alasca e seguiu no voo até Pequim, ao lado de Trump e Elon Musk. Trump afirmou que chips H200 da Nvidia foram discutidos e que a China ainda não aprovou compras desses componentes, buscando desenvolver capacidades próprias.

Visa: O presidente norte-americano apoiou publicamente a tentativa da empresa de cartões de crédito de entrar no mercado de pagamentos da China continental. O CEO Ryan McInerney integrou o grupo de cerca de 30 líderes corporativos que acompanharam Trump. Trump citou dados do Banco do Povo da China: 10,2 bilhões de cartões em circulação ao fim de 2025 e volume de transações de 963,6 trilhões de yuans (US$ 142 trilhões) no ano.

Irã (parcialmente): Trump divulgou posições públicas que já constavam na postura chinesa — defesa da abertura do Estreito de Ormuz, rejeição a armas nucleares iranianas e promessa de não vender equipamento militar ao Irã —, o que permitiu apresentar algum progresso diplomático, ainda que Pequim não tenha mencionado o Irã em declarações oficiais sobre a cúpula.

Perdedores

Taiwan: A questão da ilha ganhou tom mais contundente por parte da China, que advertiu sobre risco de conflito. O comunicado da Casa Branca não citou Taiwan, e o secretário de Estado Marco Rubio afirmou posteriormente que a política americana não mudou. Trump disse ter ouvido Xi e manteve-se neutro, lembrando que não desejava uma guerra distante.

Boeing: Expectativas de um grande pedido de aeronaves pela China — estimadas em até 500 unidades por especulações iniciais — não se materializaram conforme antecipado. Trump informou um compromisso inicial de 200 aviões, número que ele descreveu como acima da previsão de 150, e mencionou a possibilidade de compra de até 750 no futuro, dependendo do desempenho da empresa. A quantidade ficou aquém do esperado e as ações da Boeing recuaram.

Imagem: Imagem Divulgação

Republicanos no Congresso: A promessa de grandes compras agrícolas e comerciais que poderiam favorecer aliados de Trump antes das eleições de meio de mandato mostrou-se incerta. Planos para reduzir tarifas sobre cerca de US$ 30 bilhões em produtos não estratégicos exigirão meses de trabalho, e compras agrícolas relevantes, como soja, só deverão ocorrer no outono, conforme admitido pelo representante comercial Jamieson Greer.

Serviço Secreto e imprensa: A comitiva presidencial enfrentou incidentes com jornalistas chineses e autoridades locais. Em um episódio, repórteres chineses invadiram a sala da reunião bilateral, ferindo um funcionário americano; em outro, um agente do Serviço Secreto foi barrado de um local por estar armado. Ao tentar acompanhar a comitiva, jornalistas e acompanhantes americanos foram contidos e depois forçaram a saída para alcançar o comboio de Trump — acontecimentos que geraram ampla cobertura na mídia dos EUA.

Durante a viagem, Trump disse ter cobrado de Xi a libertação do fundador do extinto jornal Apple Daily, Jimmy Lai, condenado em fevereiro a 20 anos de prisão; Xi respondeu que seria “algo difícil”.

Ao retornar aos Estados Unidos na sexta-feira, Trump apresentou a visita como bem-sucedida, apesar das limitações práticas alcançadas na cúpula.

© 2026 Bloomberg L.P.

Com informações de Infomoney

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