Plano Safra 2026/27 pode chegar a R$ 550 bilhões com juros abaixo de 10%
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, informou em São Paulo que o governo estuda destinar cerca de R$ 550 bilhões ao crédito rural no Plano Safra 2026/27, valor que representaria um aumento em torno de 10% na comparação com os R$ 516 bilhões do ciclo 2025/26. O anúncio foi feito durante agenda realizada na terça-feira (2), quando o ministro participou da reunião aberta do Conselho do Agronegócio da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e, à tarde, inaugurou o novo escritório da Embrapa na capital paulista.
No encontro da ACSP, cujo tema foi “Diálogo, inovação e crescimento: o novo momento do agronegócio brasileiro”, André de Paula adiantou que a intenção é combinar um volume expressivo de recursos com condições de crédito mais favoráveis aos produtores. A equipe do governo busca taxas de juros abaixo de dois dígitos, patamar sinalizado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin durante a Agrishow 2026, em abril. A previsão é que o Plano Safra seja anunciado oficialmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 1º de julho.
As negociações sobre a equalização das taxas envolvem o Ministério da Fazenda e o Congresso Nacional. André de Paula afirmou que atuará até o “último momento” para obter as melhores condições, mas ressaltou que a decisão final caberá ao presidente Lula. O ministro também destacou a necessidade de fortalecer o seguro rural, devido à combinação de preços baixos das commodities, elevado endividamento dos produtores e maior volatilidade associada a eventos climáticos.
André de Paula contextualizou os números do setor lembrando que os três primeiros Planos Safra da gestão Lula somam R$ 1,547 trilhão, mais que o dobro dos R$ 713 bilhões destinados nos quatro anos do governo anterior. Segundo ele, o agronegócio responde por cerca de 25% do Produto Interno Bruto, gera milhões de empregos e corresponde a metade das exportações brasileiras, motivo pelo qual governo e produtores devem atuar em conjunto.
Na pauta externa, o ministro citou avanços em acessos sanitários e fitossanitários: o Brasil alcançou 616 acessos em 88 destinos desde o início da gestão Lula, com meta de chegar a 700 até o fim do ano. Em relação à China, destacou o reconhecimento do país como livre de febre aftosa sem vacinação, avanço importante para as exportações de carne bovina.
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Sobre fertilizantes, André de Paula afirmou que há articulações com fornecedores, entre eles China e Nigéria, e que a reativação de fábricas nacionais é vista como caminho para reduzir a dependência de importações. Na inauguração do escritório da Embrapa em São Paulo, o ministro assinou acordo de cooperação com o Carrefour Brasil para qualificação de produtores e informou que os investimentos em pesquisa na empresa pública foram ampliados e que concursos foram retomados após 15 anos.
Com informações de Forbes